domingo, 22 de setembro de 2013

Boa noite!

Era noite
Chuvosa e fria 
A lua acabara de sair por detrás da serra
Miguel caminhava a passos rápidos pela calçada, não deveria ter saído da casa, sabia que com aquele tempo poderia pegar um resfriado daqueles, mas Luna havia lhe implorado tanto que não a deixasse só, com uma voz tão doce ao telefone, disse que seus pais haviam viajado naquela tarde, e Miguel sabia que ela morria de medo de tempestades.
Ele continuava o trajeto, quando de repente as luzes se apagaram, a cidade ficou um breu, pensou em voltar, mas já deveria estar na metade do caminho, e não queria que Luna ficasse magoada. Após hesitar por um momento, continuou a caminhada, torcendo para que as nuvens e a neblina se dissipassem e deixassem o luar iluminar a escuridão, já que não conseguia enxergar mais do que dois metros ao seu redor.
Ao passar por um beco estreito ele ouviu um ruído, alguém chamava por seu nome, era uma voz feminina, sedutora e suave.
— Migueeel, aproxime-se, preciso falar com vc.
— Quem está aí? 
— Migueeel, precisamos conversar meu querido, tenho uma coisa para te dar.
— Apareça! Venha para onde eu possa lhe ver, seja lá quem for!
— Então, está bem.
Ele ouviu passos lentos vindo em sua direção, cada vez mais próximos, até que pôde enxergar uma silhueta e quando chegou mais perto pôde ver bem, curvas perfeitas, olhos negros, lábios avermelhados, pele morena, mas pálida, dentes brancos e brilhantes, parecia uma deusa, uma miragem.
— Aqui estou meu belo rapaz.
— Quem é você?
— Não precisas saber.
Ela foi chegando mais perto. Numa mistura de vislumbramento e medo, Miguel ficou paralisado.
— Fique tranquilo, quando eu acabar não irás sentir dor alguma.
Miguel sabia que deveria fugir, correr o mais rápido que pudesse, mas não queria, era como se estivesse hipnotizado. A mulher arrancou o seu cachecol,  deixando seu pescoço à mostra, inclinou a sua cabeça um pouco para o lado, Miguel pôde ver que seus caninos agora estavam mais pontiagudos, cintilavam para fora da sua boca. Ela sorria, um sorriso sedutor, de desejo e até meio debochado.
— Boa noite, Anjo! 
Depois que pronunciou essa frase, ela cravou-os em seu pescoço, a dor era lacerante, sentia seu sangue sendo sugado por ela, lentamente,  que deixava, talvez por descuido ou de propósito, um fio do líquido vital e quente escorrer pelo seu ombro, minutos depois, a dor começou a passar, tudo girava ao seu redor, suas vistas escureciam, e então ele apagou...