quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Emily

Era uma cidadezinha pacata, no interior dos EUA, lá Emily vivia calmamente com sua família, todos os dias ia ao colégio, depois fazia as lições de casa e trabalhava em um café próximo dali, das seis ás dez e meia da noite. Seu pai era um advogado aposentado que depois da aposentadoria realizara seu grande sonho de se tornar motoqueiro, por conta disso, vivia a viajar, Emily chegava a passar sozinha em sua casa, mas não tinha medo. O índice de violência lá era muito baixo, todos viviam em plena a harmonia, e todos se conheciam, cidade pequena, sabe como é.
Até que um dia duas jovens foram encontradas mortas, dependuradas em uma árvore, mas a causa da morte, não havia sido enforcamento como parecia ter sido, os corpos delas, estavam completamente sem sangue, haviam duas marcas redondas e alinhadas em seus pescoços.
Nos dias seguintes, mais dois corpos foram encontrados em uma outra árvore, com os mesmos indícios dos primeiros, eram duas jovens, isso fez a polícia reforçar a hipótese de que o responsável pelos crimes, seria um serial killer que atacava sempre mulheres de maneira fria e cruel e talvez usasse o sangue delas em rituais macabros.
Passaram-se um mês sem nenhum assassinato, porém, às cinco da manhã de uma sexta-feira fria, o telefone do xerife Paul tocou, outros três corpos foram encontrados às margens de um rio, mas, dessa vez, eram masculinos. Os jovens aparentavam ter entre 17 e 20 anos, estavam completamente sem sangue, apresentavam marcas no pescoço, sem dúvida alguma, eram vítimas do assassino. 
Dessa vez, Emily conhecia as vítimas, eram Mike, Joe e Nick, seus colegas de classe, Joe era seu parceiro de biologia e sempre ficava lhe cantando, chegaram até a ficar juntos no baile de Halloween, ela foi ao enterro, estava triste, mas a vida continuava afinal.
Todos na cidade estavam aterrorizados, era como se houvesse toque de recolher, às oito da noite, não havia mais ninguém nas ruas, mesmo com o fato de que os assassinatos haviam cessado novamente haviam dois meses. Emily não temia, era corajosa como seu pai, ia todos os dias ao trabalho, porém, retornava mais cedo por causa do baixo movimento.
Tudo transcorria tranquilamente, até que, em uma noite fria, no caminho de volta para casa, ela viu algo, em que não poderia acreditar, não, ela não poderia acreditar no que estava vendo. Um belo rapaz, alto, cabelos negros, músculos definidos, branco como a neve, com os lábios no pescoço de uma jovem que agonizava, se debatia, até que seus movimentos foram parando, ela foi desfalecendo, deu seu último suspiro e apagou, estava morta.
O rapaz deitou a moça calmamente na calçada, com muito cuidado, depois levantou-se, virou-se e começou a caminhar em direção a Emily, parou diante dela e sorriu, era o sorriso mais lindo que ela já vira, covinhas se formavam no lado direito do seu rosto, os caninos pontiagudos saltavam para fora dos lábios, os dentes incrivelmente brancos, brilhavam refletindo a luz do luar, ela não podia acreditar que ele havia matado aquela jovem e todos os outros, a não ser pelo sangue que havia escorrido pelos cantos da sua boca, e que agora ele limpava com o dorso da mão direita. Sim, aquele era o assassino, ele matara Joe, Mike, Nick e todas as jovens, e, o mais inacreditável, é que se tratava de um, vampiro.
Certamente ele iria matá-la, ela pensou, cravaria os dentes em seu pescoço, perfuraria sua jugular e sugaria todo seu sangue, lentamente, enquanto ela agonizava, depois depositaria seu corpo ao lado do da outra jovem e sairia tranquilamente como alguém que acabara de jantar em um restaurante.
Ele olhou bem nos seus olhos castanhos, os olhos dele eram azuis como o oceano, jogou o cabelo dela para trás deixando seu pescoço livre, inclinou sua cabeça sobre ele, seu cheiro era incrivelmente excitante, nesse momento, Emily sentiu um frio na barriga, mas, não sentia medo, estava nervosa, no entanto, continuava firme, o vapor gélido que saía por entre seus dentes, a fez ficar arrepiada, ele tocou os lábios em sua pele, ela fechou os olhos com firmeza, e esperou que a dor lacerante a consumisse, mas sentiu apenas um beijo frio, bom, que continuou por sua bochecha até chegar a sua boca, o vampiro a beijou calmamente, depois parou abruptamente, se afastou, passou a mão nos cabelos negros, sorriu mais uma vez e desapareceu na escuridão.