domingo, 6 de outubro de 2013

Sem título...


01

Olá, meu nome é Joseph, eu sou um vampiro e essa é minha história

Tenho vinte anos a mais ou menos três séculos, e ao longo de tantos anos, se torna um pouco complicado não esquecer coisas, ainda mais quando se trata da sua vida humana. Em fim, nasci em uma pequena cidade no interior da Inglaterra, era filho único de um casal de camponeses, por isso desde a infância comecei ajudar meus pais na lavoura. Meu pai queria que eu assumisse a pequena propriedade da família, passada de geração em geração, a princípio eu também queria isso, era um jovem romântico, cheio de sonhos, e estava apaixonado.
Ivone, esse era o seu nome, linda como a noite, ela era meu tudo, minha vida, sim, eu morreria por ela sem pestanejar, o seu sorriso era a minha luz, eu adorava cantar para ela, escrevia canções, cartas e poemas de amor. Ela era pura e doce, um anjo, meu anjo.
Nós iríamos nos casar, eu estava tão feliz, mas, na noite em que eu ia pedi sua mão em casamento, sua mãe me contou desesperada. Ivone havia ido pegar água em um rio próximo a propriedade pela primeira vez na sua vida, já que essa sempre era a tarefa da sua irmã mais velha, que se encontrava de cama na ocasião. A margem do rio era repleta de belas flores coloridas e perfumadas, e ela sabia que a sua filha certamente acabaria por parar e colher algumas, se atrasando para o jantar, por isso nunca lhe designara a tarefa, mas nesse dia era necessário. Chegou a hora do jantar e Ivone não havia chegado, saí imediatamente para procurá-la, alguma coisa me dizia que havia acontecido algo muito ruim e eu estava certo.
Chegando ao rio, encontrei uma trilha de flores amassadas que dava para dentro do bosque, segui a trilha imediatamente, em uma árvore encontrei um lenço com as inicias “I. J.” Ivone Johnson, pertencia a ela, acelerei o passo bosque adentro. Em uma clareira, avistei um corpo ao chão, corri depressa em sua direção. Era a minha pequena, estava toda suja e ensangüentada, roupas rasgadas, sua respiração estava ofegante, lhe faltava o ar, eu podia ver o desespero em seus olhos, lágrimas escorriam sem parar, seus lábios se abriram, deles saiu em sussurro o som do meu nome, pedi para que ela não falasse, precisava economizar forças, disse que eu a tiraria dali, a levaria para casa, cuidaria dela, mas ela insistia em continuar. Disse que estava colhendo flores, e um homem asqueroso apareceu, ela correu desesperadamente, mas ele a alcançou, rasgou a sua roupa, e a estuprou, depois achou que ela já havia morrido e fugiu. Eu implorava entre lágrimas e soluços que ela não me deixasse, mas sua respiração estava cada vez mais fraca, seu coração estava parando, ela morreu em meus braços.
Suas últimas palavras foram: “Eu te amo!”, lembro-me como se fosse hoje daquele cruel momento. Prometi a mim mesmo que a vingaria, encontraria o assassino e arrancaria seu coração com as minhas próprias mãos...