segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Sem título

02

Não há limites para um apaixonado!

Uma semana depois da morte da minha Ivone, eu saí à procura do homem que a matara, lembrava-me de ela ter me dito que ele possuía uma cicatriz enorme e horripilante no lado esquerdo do rosto. Vasculhei cada canto da cidade, das áreas mais luxuosas, as mais pobres e moribundas, passei semanas procurando em cada povoado, cada vila, mas nada, só que eu não iria desistir, nunca, vingaria a morte do meu anjo, nem que essa fosse a ultima coisa que eu fizesse.
Após passar dias caminhando e depois de uma chuva muito forte que caia sem parar, resolvi me hospedar em uma estalagem, passaria a noite lá e no dia seguinte continuaria minha busca. Talvez tenha sido uma ajuda do destino, depois de tantas armadilhas. Nessa noite, não consegui dormir, aliás, desde que eu perdera Ivone eu não conseguia dormir, desci as escadas e fiquei sentado em uma poltrona na sala da recepção.
Era um lugar humildemente simples, velas acesas em cima dos móveis empoeirados, e dependuradas em castiçais nas paredes, a recepção era simples, um balcão de madeira envelhecida, um tapete de lã talvez, poltronas desgastadas, e uma pequena mesa de centro e pregada á parede, um pequena estante onde havia alguns livros. Escolhi um deles aleatoriamente e comecei a ler, era um romance, a história de uma garota que fora atacada por um vampiro e se apaixonara por ele. Que coisa mais idiota! Pensei, jogando o livro na mesinha de centro. Percebi que um homem me observava naquele momento, e qual não foi a minha surpresa, quando vi que aquele homem possuía uma cicatriz enorme no lado esquerdo do rosto, era como se tivessem assado em uma fogueira, era realmente horripilante, para mim, não houve dúvidas. Aquele era o assassino de Ivone.
Apesar de estar surpreso e da onda de raiva que tomava conta de mim, eu me contive, precisava manter a calma, não deixei transparecer qualquer sentimento, afinal, se isso acontecesse, poderia estragar tudo. Ele sorriu para mim e me disse: “Esses livros são uma porcaria meu jovem, não servem nem para manter a chama da lareira acesa!”. 
— Certamente. Eu disse, concordando com a cabeça.
Eu já havia planejado como me vingaria, mas naquelas circunstâncias, precisaria de outro plano, eu acabaria com ele de uma forma lenta e cruel, mas que não chamasse muita atenção. O homem disse que já era tarde, pediu-me licença e dirigiu-se para seu quarto. Eu fiquei durante cerca de dez minutos, ali, sentado, foi tempo suficiente para planejar tudo e começar a agir. Fui para meu quarto, peguei um frasco com sonífero que levava na bolsa, umedeci um lenço branco e sai caminhando pelo corredor, estava vazio e escuro. Perfeito! Pensei.
Lembrava de ele ter dito algo como “Estou no quarto 12, dividindo a cama com as baratas, nessa espelunca”. Então sai olhando de porta em porta, até encontrar no fundo do estreito corredor. Bati na porta levemente, logo ele a abriu, envolvi minha mão em volta do seu pescoço, e tapei seu nariz e boca com o lenço. Por um momento achei que ele havia desmaiado e que tudo estava dando certo. Estava enganado. 
Depositei o corpo dele no chão, e fechei a porta sem fazer ruído, estava me preparando para amarrá-lo e amordaçá-lo quando vi algo que me deixou intrigado, sua pele era fria, e seus dentes pareciam com os dentes pontiagudos de um lobo, me distrai menos de dez segundos fazendo essa observação. Tempo suficiente para ele abrir os olhos vermelhos e saltar no meu pescoço cravando seus dentes em mim. 
Vi tudo girando e apaguei. Acordei em um lugar totalmente estranho, um sótão talvez.
— Sei quem você é, o noivo apaixonado que quer se vingar do assassino. Vi quando bebi seu sangue. Ivone. A jovem mais bela que já assassinei, e olha que já foram tantas, lembro-me dela, beleza estonteante. Adorei ver o pânico naqueles olhos tão serenos, tocar aquela pele tão macia, violar aquele corpo tão perfeito. Só lamento tê-la encontrado pouco antes de me tornar um vampiro, adoraria ter provado daquele sangue doce.
— Cala a boca! Assassino! Por que, por que fez isso com a minha Ivone? E o que vai fazer comigo vai me matar?  — Eu disse. Ele suspendeu-me pelo pescoço.
— Fiz, por prazer ora! E não, hum, não vou matá-lo, muito pelo contrário, viverás para sempre.
— Ele me fez beber o seu sangue, depois de alguns dias quando acordei, estava sedento, a criatura havia desaparecido. Infelizmente eu sentia sede de sangue, era isso que eu precisava. À noite, ataquei um caçador que caminhava por perto. Assim completei a minha transformação. 

Eu me tornei um vampiro, e estava decidido, usaria minhas habilidades incomuns, e se beneficiaria da minha imortalidade para matar o assassino, afinal, agora possuía dois motivos, pois ele também era o meu criador, eu jamais desistiria da vingança.