segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Tristeza

Deixa a tristeza da vida
Em tudo que escreve e que é triste
Em tudo que escreve e que é alegre
Em tudo que desenha
Em tudo que toca
Em tudo que faz
Em todo o seu universo particular
Por que lá fora, no mundo real
Ninguém está interessado em saber
Como realmente alguém está se sentindo
Quando já se julgam os maiores do mundo
Então para trazer à tona sua tristeza
Disfarça ela de alegria.

Marcas

As marcas no rosto 
Cobertas com maquiagem
Não são sinal de fraqueza
As marcas nos pulsos
Não foram feitas para chamar atenção
Pelo contrário
Ficam a maior parte do tempo 
Escondidas em baixo de braceletes pretos
Esse preto nos olhos
Para esconder as marcas de noites mal dormidas
Esse sorriso no rosto 
Para esconder as marcas da tristeza
Esse som no último volume
Não é para mostrar rebeldia
É para apagar um pouco 
As marcas da vida real
Suicídio, auto-mutilação
Vontade de aparecer
Loucura, infantilidade
Burrice
Chamem do que quiser
Chame-os do que quiser
Eu os chamo de anjos
Guerreiros que pensaram em desistir
Mas que continuam lutando
Chamo de marcas de guerra
Chamo de marcas da vida.



Amar


O que é amar
Senão sofrer, sofrer e sofrer?
O que é o amor?
Existe amor?
Mirava pensante o horizonte
O amor é a morte do homem
Enquanto o corpo e a alma ainda vivem
Mas como pode uma criatura morrer
E continuar vivendo?
O amor é a morte da razão
De tudo se faz por ele
Tudo se dá para ele
Até mesmo o corpo
E a sofredora alma.

Augusto Branco

A vida numa corda bamba


Costumo dizer que quando estamos muito tristes, com a alma triste até a morte, é como se estivéssemos atravessando um desfiladeiro em uma corda bamba. 
O que tem embaixo é um abismo, e o que está acima é o céu. 
Se você olhar pra baixo, você verá o abismo. 
O abismo atrai o olhar, mas o abismo é morte certa, e ao olhar para ele você pode entontecer e cair. Portanto, nunca olhe para o abismo. 
Mas também não olhe para o céu. 
O céu é como um sonho, e ele pode estar belíssimo, muito azul, com um sol radiante ou repleto de estrelas, não importa: não olhe para o céu, por que de tão belo ele pode fazer você esquecer de que precisa manter o equilíbrio e seus pés bem firmes na corda.
Desta forma, eu te digo: o único lugar para o qual você deve olhar é para a frente, onde está o horizonte. 
O horizonte é onde está tudo o que você pode descobrir, viver e alcançar. 
Basta seguir em frente. 
Se você olhar para trás, poderá ver teus familiares e amigos dizendo “siga em frente”. 
Mas se não puderes ouvir isto, concentre-se em teus pensamentos, por que é na verdade o que você quer: Seguir em frente!
Então apenas mire o horizonte, mantenha teus passos bem firmes e você atravessará o desfiladeiro, onde do outro lado haverá um mundo, pessoas e uma vida que esperam, sinceramente, que você siga em frente.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Sem título

02

Não há limites para um apaixonado!

Uma semana depois da morte da minha Ivone, eu saí à procura do homem que a matara, lembrava-me de ela ter me dito que ele possuía uma cicatriz enorme e horripilante no lado esquerdo do rosto. Vasculhei cada canto da cidade, das áreas mais luxuosas, as mais pobres e moribundas, passei semanas procurando em cada povoado, cada vila, mas nada, só que eu não iria desistir, nunca, vingaria a morte do meu anjo, nem que essa fosse a ultima coisa que eu fizesse.
Após passar dias caminhando e depois de uma chuva muito forte que caia sem parar, resolvi me hospedar em uma estalagem, passaria a noite lá e no dia seguinte continuaria minha busca. Talvez tenha sido uma ajuda do destino, depois de tantas armadilhas. Nessa noite, não consegui dormir, aliás, desde que eu perdera Ivone eu não conseguia dormir, desci as escadas e fiquei sentado em uma poltrona na sala da recepção.
Era um lugar humildemente simples, velas acesas em cima dos móveis empoeirados, e dependuradas em castiçais nas paredes, a recepção era simples, um balcão de madeira envelhecida, um tapete de lã talvez, poltronas desgastadas, e uma pequena mesa de centro e pregada á parede, um pequena estante onde havia alguns livros. Escolhi um deles aleatoriamente e comecei a ler, era um romance, a história de uma garota que fora atacada por um vampiro e se apaixonara por ele. Que coisa mais idiota! Pensei, jogando o livro na mesinha de centro. Percebi que um homem me observava naquele momento, e qual não foi a minha surpresa, quando vi que aquele homem possuía uma cicatriz enorme no lado esquerdo do rosto, era como se tivessem assado em uma fogueira, era realmente horripilante, para mim, não houve dúvidas. Aquele era o assassino de Ivone.
Apesar de estar surpreso e da onda de raiva que tomava conta de mim, eu me contive, precisava manter a calma, não deixei transparecer qualquer sentimento, afinal, se isso acontecesse, poderia estragar tudo. Ele sorriu para mim e me disse: “Esses livros são uma porcaria meu jovem, não servem nem para manter a chama da lareira acesa!”. 
— Certamente. Eu disse, concordando com a cabeça.
Eu já havia planejado como me vingaria, mas naquelas circunstâncias, precisaria de outro plano, eu acabaria com ele de uma forma lenta e cruel, mas que não chamasse muita atenção. O homem disse que já era tarde, pediu-me licença e dirigiu-se para seu quarto. Eu fiquei durante cerca de dez minutos, ali, sentado, foi tempo suficiente para planejar tudo e começar a agir. Fui para meu quarto, peguei um frasco com sonífero que levava na bolsa, umedeci um lenço branco e sai caminhando pelo corredor, estava vazio e escuro. Perfeito! Pensei.
Lembrava de ele ter dito algo como “Estou no quarto 12, dividindo a cama com as baratas, nessa espelunca”. Então sai olhando de porta em porta, até encontrar no fundo do estreito corredor. Bati na porta levemente, logo ele a abriu, envolvi minha mão em volta do seu pescoço, e tapei seu nariz e boca com o lenço. Por um momento achei que ele havia desmaiado e que tudo estava dando certo. Estava enganado. 
Depositei o corpo dele no chão, e fechei a porta sem fazer ruído, estava me preparando para amarrá-lo e amordaçá-lo quando vi algo que me deixou intrigado, sua pele era fria, e seus dentes pareciam com os dentes pontiagudos de um lobo, me distrai menos de dez segundos fazendo essa observação. Tempo suficiente para ele abrir os olhos vermelhos e saltar no meu pescoço cravando seus dentes em mim. 
Vi tudo girando e apaguei. Acordei em um lugar totalmente estranho, um sótão talvez.
— Sei quem você é, o noivo apaixonado que quer se vingar do assassino. Vi quando bebi seu sangue. Ivone. A jovem mais bela que já assassinei, e olha que já foram tantas, lembro-me dela, beleza estonteante. Adorei ver o pânico naqueles olhos tão serenos, tocar aquela pele tão macia, violar aquele corpo tão perfeito. Só lamento tê-la encontrado pouco antes de me tornar um vampiro, adoraria ter provado daquele sangue doce.
— Cala a boca! Assassino! Por que, por que fez isso com a minha Ivone? E o que vai fazer comigo vai me matar?  — Eu disse. Ele suspendeu-me pelo pescoço.
— Fiz, por prazer ora! E não, hum, não vou matá-lo, muito pelo contrário, viverás para sempre.
— Ele me fez beber o seu sangue, depois de alguns dias quando acordei, estava sedento, a criatura havia desaparecido. Infelizmente eu sentia sede de sangue, era isso que eu precisava. À noite, ataquei um caçador que caminhava por perto. Assim completei a minha transformação. 

Eu me tornei um vampiro, e estava decidido, usaria minhas habilidades incomuns, e se beneficiaria da minha imortalidade para matar o assassino, afinal, agora possuía dois motivos, pois ele também era o meu criador, eu jamais desistiria da vingança.

Voltei! ^^


domingo, 13 de outubro de 2013

Voltando a ser eu!

Fiquei dias sem escrever algo aqui, apesar de ter uma mente tão barulhenta, não conseguia nada para escrever. Esses dias ela estava uma folha em branco. A princípio fiquei aliviada, eu conseguia dormir tranquilamente. Mas depois o vazio ficou tão grande, um espaço enorme a ser preenchido, era como se faltasse uma parte enorme de mim, e faltava, faltava: Eu!
Percebi que a paz e o sossego que tanto desejo, não é o que eu tanto necessito, eu preciso me sentir cheia de alguma coisa, de algum sentimento, seja bom ou ruim, preciso de algo que me motive a algo, seja continuar vivendo ou tentar suicídio, seja lutar ou desistir, voltar um passo atrás ou continuar em frente.
Mente vazia não é sinal de paz, muito pelo contrário, comecei a me desesperar, sem uma tristeza, sem uma alegria, era como se eu simplesmente houvesse desaparecido para mim mesma.
Felizmente, meus pensamentos voltaram, a raiva, a alegria, a tristeza, o amor, o ódio e até minhas paranoias.
Tentei ser diferente, tentei viver sem tudo isso. Consegui, mas, vi que não vale tanto a pena assim. Como é bom está de volta! Como é bom voltar a ser eu!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Acham que sou idiota?

Agem como se eu fosse a mais ingênua
Me fazem de boba
Como se eu nunca percebesse nada
Pobres tolos! 
Eu observo tudo, sei de tudo
Aliás, talvez não saiba
E talvez seja a última a saber
Mas não sou boba
Eles esquecem que a vingança
É um prato que se come frio
Que fazer fofocas por aí
É fazer papel imbecil
Se acham muito espertos
Tapam meus ouvidos, meus olhos e minha boca
Mas esquecem que eu possuo um sexto sentido
Sexto sentido que vale por todos os outros cinco
Ás vezes penso como criança
Ás vezes penso como mulher
Ás vezes penso com a doce e amarga adolescência
Com essa adolescência agridoce 
Ás vezes não penso
Mas sei e quando não sei descubro
Coitados desses idiotas 
Que pensam que sou idiota.


domingo, 6 de outubro de 2013

Sem título...


01

Olá, meu nome é Joseph, eu sou um vampiro e essa é minha história

Tenho vinte anos a mais ou menos três séculos, e ao longo de tantos anos, se torna um pouco complicado não esquecer coisas, ainda mais quando se trata da sua vida humana. Em fim, nasci em uma pequena cidade no interior da Inglaterra, era filho único de um casal de camponeses, por isso desde a infância comecei ajudar meus pais na lavoura. Meu pai queria que eu assumisse a pequena propriedade da família, passada de geração em geração, a princípio eu também queria isso, era um jovem romântico, cheio de sonhos, e estava apaixonado.
Ivone, esse era o seu nome, linda como a noite, ela era meu tudo, minha vida, sim, eu morreria por ela sem pestanejar, o seu sorriso era a minha luz, eu adorava cantar para ela, escrevia canções, cartas e poemas de amor. Ela era pura e doce, um anjo, meu anjo.
Nós iríamos nos casar, eu estava tão feliz, mas, na noite em que eu ia pedi sua mão em casamento, sua mãe me contou desesperada. Ivone havia ido pegar água em um rio próximo a propriedade pela primeira vez na sua vida, já que essa sempre era a tarefa da sua irmã mais velha, que se encontrava de cama na ocasião. A margem do rio era repleta de belas flores coloridas e perfumadas, e ela sabia que a sua filha certamente acabaria por parar e colher algumas, se atrasando para o jantar, por isso nunca lhe designara a tarefa, mas nesse dia era necessário. Chegou a hora do jantar e Ivone não havia chegado, saí imediatamente para procurá-la, alguma coisa me dizia que havia acontecido algo muito ruim e eu estava certo.
Chegando ao rio, encontrei uma trilha de flores amassadas que dava para dentro do bosque, segui a trilha imediatamente, em uma árvore encontrei um lenço com as inicias “I. J.” Ivone Johnson, pertencia a ela, acelerei o passo bosque adentro. Em uma clareira, avistei um corpo ao chão, corri depressa em sua direção. Era a minha pequena, estava toda suja e ensangüentada, roupas rasgadas, sua respiração estava ofegante, lhe faltava o ar, eu podia ver o desespero em seus olhos, lágrimas escorriam sem parar, seus lábios se abriram, deles saiu em sussurro o som do meu nome, pedi para que ela não falasse, precisava economizar forças, disse que eu a tiraria dali, a levaria para casa, cuidaria dela, mas ela insistia em continuar. Disse que estava colhendo flores, e um homem asqueroso apareceu, ela correu desesperadamente, mas ele a alcançou, rasgou a sua roupa, e a estuprou, depois achou que ela já havia morrido e fugiu. Eu implorava entre lágrimas e soluços que ela não me deixasse, mas sua respiração estava cada vez mais fraca, seu coração estava parando, ela morreu em meus braços.
Suas últimas palavras foram: “Eu te amo!”, lembro-me como se fosse hoje daquele cruel momento. Prometi a mim mesmo que a vingaria, encontraria o assassino e arrancaria seu coração com as minhas próprias mãos...

sábado, 5 de outubro de 2013

Algo para escrever

Escrever sobre o que?
Sobre os problemas desse mundo perdido?
Bem, estou cansada de saber que esse mundo não tem jeito, não depende mais do homem, salvá-lo não está mais ao seu alcance, anos destruindo o que a natureza demorou bilhões de ano para criar. Matando uns aos outros em uma guerra interminável por prestígio e poder, ou simplesmente por inveja do que o outro conseguiu por mérito e eles não.
Prefiro escrever sobre o meu mundo, o mundo das criaturas sombrias e misteriosas, vampiros e lobisomens, anjos e demônios. Talvez pareça bobagem, mas já tenho que encarar a realidade todos os dias, na escola em condições precárias de ensino, no hospital em condições precárias de saúde, querem formar jovens intelectuais e brilhantes, mas, os jovens preferem trocar o livro de matemática pelo WhatsApp, e cada vez mais, quem não utiliza das tecnologias que surgem, é deixado para trás.
Jovens que não são alienados, que não se deixam levar pela mídia ou coisa assim, que não deixam a sociedade estúpida fazer-lhes uma lavagem cerebral, são criticados, tidos como anormais e etc.
Prefiro ser anormal a ser mais uma marionete do século XXI. E você, também deveria pensar com a sua própria cabeça não? Não estou lhe pedindo para abandonar tudo e viver por aí como o homem das cavernas. Conviva com a sociedade, tenha a tecnologia ao seu lado, mas não deixe que elas lhe coloquem amarras, nem fios.
Não deixe que elas dominem você!

La dépression nerveuse de Marlin Rose Jones: Olhos vazios e lúcidos, seu nome é Paz....

La dépression nerveuse de Marlin Rose Jones: Olhos vazios e lúcidos, seu nome é Paz....:   Numa pequena cabana à margem de um rio, vivia uma moça chamada Paz. Ela nunca falava ou expressava sentimentos. Algumas pessoas da cidade ...

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O flautista de Hamelin

Em 1282, a cidade de Hamelin estava sofrendo com uma infestação de ratos. Um dia, chega à cidade um homem que reivindica ser um "caçador de ratos" dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe um bom pagamento em troca dos ratos - uma moeda pela cabeça de cada um. O homem aceitou o acordo, pegou uma flauta e hipnotizou os ratos, afogando-os no Rio Weser.
Apesar de obter sucesso, o povo da cidade abjurou a promessa feita e recusou-se a pagar o "caçador de ratos", afirmando que ele não havia apresentado as cabeças. O homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo desta vez as crianças de Hamelin. Cento e trinta meninos e meninas seguiram-no para fora da cidade, onde foram enfeitiçados e trancados em uma caverna. Na cidade, só ficaram opulentos habitantes e repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.
E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e vazia cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure, nunca se encontra nem um rato, nem uma criança.
Na versão original, que surgiu provavelmente na Idade Média, nos territórios que formariam a Alemanha, o final é diferente: após levar o calote, o flautista atrai as crianças para um rio, no qual elas morrem afogadas. Apenas três crianças sobrevivem: uma cega, que não consegue seguir o flautista e se perde no caminho; uma surda, que não consegue ouvir a flauta, e uma deficiente, que usa muletas e cai no caminho.
Há várias teorias sobre o que o flautista de Hamelin simbolizaria nas narrativas orais antes de virar uma história para crianças. Para alguns, ele seria a representação de um serial killer, para outros uma metáfora para as epidemias que dizimavam populações, como a peste, e para muitos remetia ao processo de migração para colonizar outras regiões da Europa.

- Autor que desconheço

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Luar

Hoje à noite não tem luar
Infelizmente, também fui abandonada por ele

O luar me iludiu com o seu brilho
Entrou pelo telhado do meu quarto
Embalou meu sono
Iluminou a escuridão
Permaneceu ao meu lado
Quando todos haviam me abandonado
Mas, ele também se foi

O luar tem suas fases
As pessoas também têm suas fases

Elas aparecem, nos iluminam, tira-nos da solidão
Aos poucos vão mudando
Desaparecem da nossa vida
De uma hora para outra
Sem nos dar explicação
Porém, o luar, ele vai e volta
Sempre!

As pessoas nem sempre retornam.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Antônia & Lucius

Antônia era uma garota tímida, 17 anos, alta e magra, usava óculos, tinha vergonha das suas orelhas, por isso, deixava seus cabelos lisos e escuros sempre soltos, para escondê-las e tinha uma risada para lá de engraçada, era muito bonita, todos achavam, menos ela. Cursava o último ano no Falconery High School, era uma ótima aluna, sempre fazia todas as lições, e sempre se saía bem em todos os exames, de todas as disciplinas. Não acreditava em vampiros, nem em outras criaturas. 
Ela não gostava de sair de casa, quase nunca deixava seu mundo, vivia sempre estudando, seus livros eram sua companhia e odiava ir a festas. Não era como a maioria dos jovens da sua idade, mas também não era a única a ser assim, era assim como outros jovens, um pouco diferente. 
A garota seguia sua vida, ia para o colégio, voltava, fazia as lições de casa, dormia um pouco e voltava a estudar, estava se preparando para entrar em uma faculdade. Sua irmã, muito preocupada com o seu futuro, insistia para que ela se matriculasse em um curso extraescolar à noite. Como eu disse antes, ela não gostava de sair de casa, principalmente depois das cinco da tarde, mas sua irmã insistiu tanto, que ela acabou seguindo seu conselho. 
Tudo ia bem, até que em uma noite, no curso, um garoto sentou-se ao seu lado, era o aluno novo de quem um dos professores falara na noite passada. Ele permaneceu calado e concentrado durante toda a aula, como uma estátua viva, mal se movia, ela tentou dizer oi, quebrar o gelo no seu jeito tímido, mas não adiantou, era como se ele simplesmente a ignorasse, "que garoto mais marrento e mais mal-educado!", ela pensou. 
Não pôde deixar de observá-lo, ele era alto, músculos bem definidos, usava boné, que lhe cobria os olhos, mas viu que seus cabelos eram castanhos acobreados. Ele usava calça jeans Levi's de cor escura e levemente justa, uma bota West Coast, uma camiseta preta Adidas e uma jaqueta de couro também preta, ela não entendia muito bem por que ele não a tirara, já que ali estava um calor infernal por conta da chegada do verão.
A aula acabou, o rapaz organizou rapidamente os livros na mochila e saiu. Antônia também organizou seu material e desceu as escadas rumo à saída, a aula havia durado mais do que ela esperava e a sua irmã, dessa vez não poderia lhe dar uma carona, então teria que caminhar até o ponto de ônibus mais próximo que ficava a uns 30 minutos dali. Tomou coragem, se despediu de uma colega com quem conversava sobre os difíceis cálculos de física, e quando se virou para começar o trajeto, o garoto apareceu do nada lhe dando o maior susto:
— Oi, te assustei, me desculpe, e desculpe também por não ter me apresentado antes, tava muito concentrado. 
Ele deu um leve sorriso, seus dentes eram perfeitamente alinhados e brancos, dessa vez havia tirado a jaqueta, ele era sedutoramente perfeito.
— Tudo bem, esta desculpado! Meu nome é Antônia 
— Muito obrigado! Meu nome é Lucius, bela senhorita. — Ele disse retirando o boné da cabeça e curvando-se em um gesto de cordialidade. Nesse momento, Antônia notou que seus olhos eram verdes como as imensas florestas, como o oceano em determinadas regiões. Possuía um olhar profundo, e misterioso. 
— Prazer em conhecê-la!
— Prazer em conhecê-lo!
— Sabe, Antônia, eu venho de um lugar muito distante e frio, cansei de viver como os meus pais uma vida monótona, saí de casa assim que terminei o colegial fui morar sozinho, curtir a vida, mas, decidi que era hora de voltar a estudar. 
— Mas, por que você veio morar aqui, nesse fim de mundo?
— Bem, aqui é tranquilo, e é o lugar perfeito para pessoas como eu, pessoas diferentes.
— Bem vindo ao clube então, também sou diferente, como você!
— Não, você não é como eu!
— Que? O que você é então engraçadinho?
Ele abriu um sorriso encantadoramente sínico
—Antônia, eu sou um vampiro!
— Ha, ha, ha, me engana que eu gosto!
Nesse momento Lucius puxou-a para um beco escuro, encostando-a contra a parede e mostrando-lhe sua verdadeira face, caninos enormes e pontiagudos, os olhos estavam negros como a noite. Ela se debatia na tentativa de se livrar dele, tentou gritar, mas ele tapou a sua boca com uma das mãos, abafando-lhe o grito. 
— Se eu lhe soltar, promete que não irá fugir?
— Prometo! 
Ele a soltou e fez um gesto para que ela se sentasse em cima de uma pilha de tijolos à sua frente. Ela obedeceu-lhe. Lucius deu um suspiro e começou a falar:
— Eu fui transformado uma semana depois de alugar um apartamento em Portland há dois anos atrás. Em uma noite linda e fria, eu fui a uma festa em uma casa de shows ali perto, foi lá que conheci a bela e sedutora Kate. Ela veio em minha direção e me ofereceu uma bebida, eu estava hipnotizado com tanta beleza, aceitei, e começamos a conversar. Depois da festa, ela me convidou para dar um passeio pela madrugada, como eu adorava o luar, e estava adorando a companhia, aceitei sem pestanejar. — Ele fez uma pausa. — achava que havia me apaixonado à primeira vista. Saímos a brindar na madrugada, ela parecia simplesmente incrível, mal sabia eu, que ela era, na verdade, uma vampira, e eu apenas mais uma de suas presas, seria o jantar da noite. — Os lábios dele se abriram em um leve sorriso, mas ele não estava feliz com aquela lembrança, havia tristeza e ódio em seu olhar.
— Ela me conduziu a um beco escuro e estreito, como esse. Nós começamos a nos beijar, até que ela se afastou abruptamente. Ficou de costas, eu perguntei o que estava acontecendo, coloquei a mão em seu ombro para que ela se virasse para mim, ela se virou, parecia outra pessoa, seus olhos negros, caninos pontiagudos, a bela Kate se transformara em uma criatura feroz. Com um sorriso assustador, ela me colocou contra a parede e disse: “Seus olhos são lindos Lucius, fique convencido disso, você será o jovem mais belo que já ataquei na vida. É uma pena ter que matá-lo, sugar a vida desse corpo tão jovem e forte, fazer esses olhos verdes se fecharem para sempre, mas, desculpe-me querido.” Então, ela cravou seus dentes em minha jugular, senti meu sangue sendo sugado, tudo em volta começou a girar e apaguei. Quando recobrei a consciência ela estava agachada ao meu lado, cortou o pulso com um canivete e colocou-o em minha boca, senti seu sangue escorrendo para dentro da minha garganta, era doce com néctar, eu engoli. Logo depois, ela cortou a minha garganta com o canivete, tudo se apagou, senti uma paz enorme e rapidamente seguida de um fogo insuportável que me consumia, era como se estivesse sendo queimado vivo. Depois o fogo deu lugar ao gelo, parecia estar congelando como alguém sem roupas em meio a neve, me sentia frio como uma lápide. Acordei novamente, dessa vez ela havia desaparecido. Coloquei a mão em minha garganta, não havia corte algum, mas ela queimava como brasa, sentia sede, uma sede incontrolável, dei sorte, um mendigo passava por ali, e o ataquei, cravei os dentes em seu pescoço, suguei seu sangue até a última gota. Saí pela cidade como uma fera descontrolada, não conseguia parar, sangue era tão bom, ainda é, na verdade. — Ele sorriu como criança ao falar de chocolate. Em fim, o sol nasceria em breve, e pelo que conhecia sobre vampiros, ele me transformaria em cinzas. Voltei para o apartamento e fechei todas as janelas, pela manhã vi que um raio de sol entrava por um pequeno furo em uma das cortinas, coloquei a mão e imediatamente ela começou a queimar, então, a tirei rapidamente, bem, eu estava certo. Aprendi a controlar a sede ao longo dos anos, descobri que água benta, alho e crucifixos são mitos, mas que estacas no coração e separar a cabeça para bem longe corpo, nos esquartejar e nos queimar, ou nos deixar no sol, funcionam muito bem.
Ele colocou-a novamente contra a parede imobilizando-a.
— Sabe Antônia, você é a jovem mais interessante que já conheci, seria uma pena matá-la, mas estou sedento, há dias não provo sangue humano, estou fraco. Sua pele branca deixando suas veias á mostra, são muito atraentes, ouço as batidas do seu coração, vejo seu sangue correndo na sua jugular. Não, não posso matá-la, mas... — Ele cravou os dentes no pescoço da jovem, calmamente, Antônia tentou resistir, mas não conseguia, viu tudo girar e logo depois apagou.
 Quando acordou, estava deitada em uma cama, logo percebeu que deveria estar na casa de Lucius. As janelas estavam todas fechadas, o quarto estaria na escuridão total, se não fosse por uma lâmpada fraca, que iluminava um pouco o local, até que era bem limpo, e não tinha nenhum caixão, ela sorriu ao imaginar Lucius em um caixão e ela lhe cravando uma estaca no coração. Pensou em abrir as janelas, mas mesmo que naquele momento, desejasse odiar Lucius, ela se sentia terrivelmente atraída por ele, não queria que ele morresse, pelos menos não daquela forma. Continuou a examinar o local, abriu uma gaveta, e encontrou lá, um porta-retrato empoeirado, limpou o vidro com a manga da blusa e viu que na foto havia um homem, uma mulher e um garoto, que só poderia ser Lucius, de repente ele apareceu:
— Eram meus pais, Matt e Louise James.  — Antônia tomou um baita susto, Lucius estava sentado sob a cômoda. Quando seu coração voltou aos batimentos normais, ela pode ver tristeza nos olhos dele.
— Ainda são seus pais!
— Não, nunca mais poderei vê-los. Bom, talvez você nunca me perdoe pelo que vou fazer com você agora. Em um piscar de olhos, Lucius a jogou na cama, Antônia viu-se completamente imobilizada. 
Ele mordeu seu próprio pulso e colocou-o sobre a boca dela, gotas de um sangue doce como néctar escorria através das marcas da mordida, Antônia sabia o que iria acontecer, mas, naquele momento, por mais incrível que pareça, era isso que queria, desejava aquilo, então ela engoliu o sangue de Lucius, que logo depois cravou um punhal em seu coração.
Antônia começou a sentir exatamente o que Lucius descrevera, quando fora transformado em vampiro. Acordou com a garganta queimando de sede, mas, não precisou atacar ninguém, pois o seu criador estava ao seu lado, segurando um garoto jovem, forte e desacordado em seus braços. Ela pode ver o liquido vermelho viscoso, o tão desejado sangue de que precisava correndo nas veias do jovem. Então o arrancou das mãos de Lucius e cravou seus dentes no seu pescoço, perfurando sua jugular, como um leão faminto devorando sua presa.  
Lucius estava completamente apaixonado por ela. De certo iria interferir, para que ela não matasse o garoto, sugando seu sangue até a última gota, não queria que ela se tornasse uma vampira assassina, nem que trouxesse problemas para os dois. Faria o rapaz esquecer o ocorrido hipnotizando-o, afinal essa era uma das inúmeras habilidades que adquirira. Ensinaria Antônia a como se controlar, aliviando-se da sede sem matar suas vítimas. Mas, por hora, se divertindo com a inexperiência da sua amada, seus olhos brilhavam e ele se sentia feliz pela primeira vez desde que se tornara imortal, então, para não estragar aquele momento apenas dizia em meio a um lindo e grandioso sorriso:
— Tenha calma Antônia!