segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Just more a dream

Acordei no meio da noite, assustada, respiração ofegante, coração a mil. Peguei o celular que sempre colocava debaixo do travesseiro, liguei-o. A princípio a luz da tela me incomodou bastante, mas, aos poucos, as minhas pupilas foram se contraindo e se acostumando. Eram 3:00 da madrugada, pude ver bem os números, uma madrugada quente de segunda-feira. Eu ficara acordada até tarde, trocando sms com um amigo, até que acabei adormecendo. O suor havia feito minha camisola grudar em meu corpo, e os meus cabelos grudavam em meu rosto. Tentei dormir novamente, mas, logo percebi que não conseguiria. Levantei-me, fui até a cozinha, bebi um pouco de água gelada e decidi tomar um banho. No chuveiro, enquanto a água fria caía sobre minha cabeça, escorria pelo meu corpo e se esvaía pelo ralo, me lembrei  do que me fizera acordar tão assustada: um sonho! 
Era um típico sonho, que se repetiu por semanas, todas as noites, mas que já não sonhava havia meses. Nele, uma garota, a qual nunca conseguia ver o rosto, me torturava, apunhalava o meu corpo repetidas vezes, enquanto gargalhava assustadoramente. E eu, acorrentada de pé, em uma parede, com os braços abertos, tentava gritar de dor, mas, me engasgava com o meu próprio sangue. Quando eu conseguia falar algo, implorava para morrer, queria que ela me matasse de uma vez por todas, mas ela não me atendia.
Nas noites anteriores, em que eu tivera esse sonho, ele era um pouco diferente, haviam mais duas pessoas, dois rapazes. O primeiro, assim como a garota, eu não conseguia ver o rosto, ficava se deliciando com aquela cena de tortura, rindo a cada apunhalada que eu levava, o outro rapaz, tentava me salvar, gritava desesperado para que ela parasse, mas estava preso, acorrentado e engaiolado como um pássaro, lembro-me do seu rosto, era um belo rapaz, mas, não o conheço. Ele tentava se soltar, puxava as correntes com toda sua força, seus pulsos já sangravam,  mas era inútil.
Dessa vez, nenhum dos dois estava lá, nem o que se divertia com a minha desgraça, nem o que tentava me libertar, ambos haviam desaparecido, me abandonado. Só restara eu, e ela. 
Calmamente, ela veio caminhando em minha direção, parou sob o fraco raio de luz que vinha de uma lâmpada empoeirada pendurada no teto. Disse-me: " Está na hora de acabar com isso, mocinha!"
Ergui um pouco a cabeça, e mesmo com a visão distorcida, e quase que desmaiando, puder ver quem era ela. Um mistura de horror tomou conta do meu corpo. 
Aquela garota, tão cruel, se tratava de mim mesma!

domingo, 24 de novembro de 2013

História de Amor

Quero noite por toda eternidade
Que o Sol esfrie
Que seu brilho se apague
Que ele se apaixone pela Lua
Se apaixone e se iluda
Que esqueça que humanos inúteis
Precisam do seu calor para viver
Que só ilumine a sua amada
Que o inverno recaia sobre a terra 
Que só tenha Lua todos os dias
Que o Sol não nasça a leste
Nunca mais!
Que seja coadjuvante
Deixe a Lua como atriz principal
No espetáculo de todos os dias
Que a única luz venha dela
E que seu brilho ofusque os olhos dos tolos
Que cegue os corruptos e dogmáticos
Que seja assim para sempre
Para sempre!
Até que a Lua se apaixone por outra Estrela imbecil qualquer
Que rejeite o Sol
Que o abandone
O coloque na friend zone
E que ele se suicide
Que o Sol exploda
E leve todo o Universo junto
Será só mais uma história de amor não correspondido.





terça-feira, 19 de novembro de 2013

Música

O que seria de mim se não fosse a música? Agora à noite, eu parei para refletir. 
Colocar os fones no ouvido, aumentar até o último volume, é o que me ajuda a fugir do mundo. Passei alguns dias sem poder fazer isso. Confesso, foram os dias mais enlouquecedores da minha vida, não sabia o que fazer, como fazer, sem a música para me ajudar a organizar meus pensamentos, eu comecei a me desesperar, um turbilhão de memórias novas e velhas, surgindo outras sem parar, ideias e reflexões, desorganizadas, se cruzando, se chocando, morrendo, nascendo, crescendo, diminuindo, em um ciclo "desritmado" e constante, dentro da minha cabeça. 
De certo, cada qual tem a sua música favorita, o seu estilo favorito, mas ainda assim, é música. Como disse Aristóteles: "A música é celeste, de natureza divina e de tal beleza que encanta a alma e a eleva acima da sua condição."
Ela é capaz de arrancar sorrisos e lágrimas, encantar e assustar, acalmar ou deixar os seres eufóricos, paralisar ou fazer os corpos se mexerem, não é frio, mas arrepia, ela sim, toca o coração de todas as formas possíveis, do mais miserável ao mais rico, do mais bondoso ao mais perverso dos homens.
Música é uma droga! Repito: Mú-si-ca é uma dro-ga! 
Um entorpecente legalizado, do qual eu quero morrer viciada, do qual todos deveriam morrer, por que não faz mal ao corpo, muito pelo contrário, não destrói o cérebro, não, ilusão de quem pensa dessa forma, os diferentes ritmos e estilos, são a característica mais forte de um ser, o que demostra sua identidade, como ele é, como se sente. O mundo seria bem melhor se todos ouvissem música ao invés de se preocuparem tanto com a vida alheia, se as vizinhas ao invés de irem para a janela fazer intriga e inventar coisas, ligassem os seus rádios e escutassem suas músicas favoritas!
Bem, a música é o que consegue estar em todos lugares ao mesmo tempo, talvez a única paixão mundial de que todos realmente gostam. 
Ela é a senhora das infinitas faces, que acalenta a morte e embala a vida.

Antítese

Uma verdadeira antítese
Não, eu não sou bipolar, mas sou
Eu odeio ser só, mas adoro a solidão
Eu odeio o amor, mas amo
Eu queria me matar, mas amo a vida
A morte me fascina, mas me dá medo
Adoraria acabar com a humanidade
Mas, odiaria se algumas pessoas morressem
Adoro violão, mas odeio ter que tocá-lo
Amo tudo que é sombrio,
Mas desejo que pessoas queridas
Se sintam iluminadas
Sou uma fracassada
Mas sempre desejo sucesso
Odeio tudo e todos
Mas amo o mundo
Em meu peito meu coração está ferido
Sinto dor
Mas, ao mesmo tempo, não sinto
Sou muito fria e gosto de ser asssim
Mas às vezes me emociono com coisas bobas
Tipo o sorriso de um idoso ou criança
Quando estou triste, me sinto alegre
Quando estou alegre, me sinto triste
São mudanças de humor repentinas
Incontroláveis
Mas, não sou a única antítese ambulante.

Para uma irmã chamada Marlin..............

Espero que goste!

Invisible? Oh yes!

Estive longe esses dias, longe do mundo, mesmo tendo que ir à escola todos os dias, mesmo tendo que ir para os ensaios da orquestra, ou para a aula de violão, o corpo estava nesses locais, sim, mas a mente, estava longe, aliás, sempre esteve longe nos últimos meses.
Cansei, sabe? Cansei de sair do meu mundo, de falar, de gritar, e não ser ouvida, de amar, de sentir carinho por pessoas, que claramente não se importam comigo, já estou cansada disso há algum tempo. Talvez eu esteja batendo novamente na mesma tecla, acho que já postei coisas parecidas outras vezes, mas essa bolha de invisibilidade em que estou presa, em que talvez os outros estejam me prendendo, que não me deixam sair, e que tanto me faz mal, agora, começa a não me incomodar tanto, é verdade. Mas, solidão, não é fácil, se aceitar invísivel, é ruim no início, e não, essas coisas não se tornam ótimas com o passar do tempo, mas, melhoram bastante, você vai se acostumando a ser só, se acostumando a ser invísivel, e no meu caso, agora prefiro ficar trancada no meu quarto como sempre ficava, com meus livros,  meus cadernos, minhas canetas e meus fones de ouvido, é tão bom.
Tudo o que desejo é ficar isolada 24 horas por dia, se pudesse, jamais sairia dali, é minha fortaleza, lá me sinto como se estivesse protegida de certa forma, lá eu posso tentar organizar meus pensamentos, não consigo, mas tento, e isso apesar de ser perturbador, às vezes chega a ser divertido. Só é uma pena que meus pais não me entendem, eles não entendem que ao mesmo tempo que me sinto só, e que fico triste, eu gosto dessa solidão, e me sinto feliz vivendo nessa tristeza.
Não é uma solidão total, tenho amigos é óbvio, poucos, mas tenho, e agora tenho uma irmã, não é biológica, mora muito distante, mas, que me entende mais do que ninguém. Rsrs
Solidão nos deixa um pouco paranóicos, pode causar mudanças de humor repentinas, mas, antes ser só, do que se forçar a acreditar que todos se importam com você, que você é inserida e aceitada em uma sociedado hipócrita e egoísta, repugnante como essa.
E, como diria essa minha mais nova irmã: "A vantagem de ser invisível é que você pode escolher para quem quer se mostrar."

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Fantasmas, parem de me atormentar!

Eles vem e vão na minha mente, ás vezes me dão uma trégua, e depois voltam, sempre voltam, eles bagunçam minha cabeça, me fazem lembrar de momentos que eu jamais quero lembrar, me torturam, minha alma não aguenta mais, ela grita de dor, mas, eles continuam e continuam, eu tento me livrar, mas, eles estão grudados em mim, como parasitas, como sanguessugas assassinas, eles querem que eu continue no mundo sombrio da dor, é isso que eles querem, querem que eu continue sofrendo e sofrendo, sem parar, em um ciclo vicioso, em que eles são os viciados, e consegue, sempre conseguem, são comandados pelo amor, é tudo culpa dele, maldito seja o amor, amaldiçoado seja que o inventou, que morra, morram todos, pelas mãos do ódio e da vingança, que enfiem uma lança no amor, e o partam ao meio, sem dó, nem piedade, que arranquem suas víceras, estrassalhem seu coração, que espremam seu cérebro, que seu sangue jorre até a última gota, que o amor queime no fogo do inferno, e que nunca mais volte, sim, que nunca mais esse sentimento inútil, irracional e imbecil volte a me atormentar. Eu não vou suportar mais algumas voltas desses fantasmas, meu corpo luta, minha mente luta, mas seus esforços são inúteis, eles os vencem facilmente, e voltam. Eles me deixam dias sem comer, arrancam meu coração, brincam com ele, faze-lhe de bola, joga-o na lama, banham-lhe com soda cáustica, e depois, o colocam aqui, dentro do meu peito, e voltam para as malditas profundezas de onde vieram, como se nada tivessem feito. E eu grito: Amaldiçoados sejam esses fantasmas! Mas, é inútil, pois eles são a minha maldição, são eles, eles. Não posso amaldiçoá-los! 
Já sem forças continuo: Socorro! Alguém me ajuda a quebrar essa maldição! Liberte meu corpo, cure meu coração! Me traga a liberdade! 
Mas, ninguém me escuta, e eu continuo aqui, amaldiçoada e torturada por eles, amaldiçoada e torturada pelo amor, e sem ninguém que seja capaz ou que queira, verdadeiramente... Me libertar!

domingo, 10 de novembro de 2013

Pare de mentir

Odeio quando as pessoas dizem que me amam, quando alguém diz que me ama, porque, sempre tenho a sensação de que esse alguém está mentindo.
Ninguém nunca se importa verdadeiramente comigo, a ponto de me amar, amar verdadeiramente.  Sim, tenho amigos, amigos irmãos, poucos, mas tenho, amigos esses que fazem toda diferença na minha vida, e sei que eles gostam de mim, a ponto de suportarem minhas paranoias e tolices, eu também os adoro muito. Mas, amor, amor não existe, não esse amor, o verdadeiro amor, domina a gente, e é incontrolável. O verdadeiro amor, nos faz viver por alguém, voltar a viver, e querer morrer por esse alguém ou por causa do mesmo. Isso é amor!
Então se não são capazes de morrer por mim, nem de voltar a vida por mim.
Não digam que me ama!

Despedidas

Despedidas significam saudades
Significam o fim de alguma coisa
Alguma coisa que
Nunca vai voltar a ser o que era antes
Bem
Concordo com o fato
De que algumas vezes
As depedidas significam o fim de um ciclo
Uma mudança
Se despedir de algo que não gostava
De uma fase ruim
Para iniciar algo novo
Uma nova fase da vida
Para voltar a vida
Não gosto de me despedir de ninguém
Dói, é ruim
Por outro lado, quando alguém se vai
Sem dizer um adeus para mim
Ou ao menos um até logo
Sinto que falta alguma coisa
É como se apenas me ignorasse
Um tchau, um simples tchau
Já me basta.

domingo, 3 de novembro de 2013

Pobre Dona Morte

Tenho pena da Morte.
Todos a tratam como a coisa mais cruel e impiedosa, todos a odeiam e a repudiam. Ela não tem culpa, morrer é necessário. Ceifar vidas, com certeza é o pior emprego do mundo, de todos os mundos, ser a responsável pela libertação da alma, e ao mesmo tempo por tanta dor e sofrimento. Pobre Morte. Eu não queria jamais ser encarregada disso.
Ela não tem escolha, recebe a ordem, é chegada a hora daquele ser, e ela não pode dizer não, nunca pode dizer não, ás vezes, tem que levá-lo de forma tão cruel, retirar a alma de um corpo ainda tão jovem ou de maneira tão inesperada.
É claro que ela se recusa, algumas vezes ela hesita, sim, apesar de nunca poder dizer não, ela certamente já o pronunciou, deixando a alma lutar, lutar e lutar, por alguns dias ou meses, só então ela cede a pressão superior, e retira o sopro da Vida daquele corpo já sem forças. Ás vezes, ela deixa a alma ficar, são os milagres, o Ser superior, deixa a Morte poupar a Vida. Deixa a Vida vencer e prevalecer por mais algumas décadas. Mas, a Morte paga caro por isso.
Então, antes de amaldiçoar a Morte, antes de chorar inconformadamente, antes de desejá-la, lembre-se de que a Morte sempre foi e será condenada a matar, essa já é sua maldição, ela não pode se libertar, e deve odiar condenar as almas a subir em seu barco, deve odiar cravar a sua foice nos corpos humanos, deve odiar acabar com a vida, jamais a  force a fazer isso, nem a condene quando ela é forçada, é apenas o seu trabalho, e ele já é infinitamente horrível, mesmo que algumas almas sejam levadas ao paraíso ou para a vida eterna, não o torne ainda mais cruel, não o obrigue a ser pior.

Talvez eu não seja mais tão humana assim

Ando meio confusa ultimamente, não sei exatamente o que está acontecendo, sinto como se tivesse perdendo aquela humanidade que me enfraquece, aquele sentimento de compaixão pelos outros, a sensibilidade pela dor do outro, antes era tudo diferente.
Há um tempo atrás, eu era super sensível, trocaria de lugar com alguém, se pudesse, só para não vê-lo sofrer, quando ocorria algum acidente, quando via alguma notícia de algum acidente trágico com alguém, mesmo que do outro lado do mundo, eu chorava, sim, eu chorava, e orava para que alguma força superior, alguma força maior, não deixasse a alma da pessoa abandonar o seu corpo, não deixá-la morrer. Quando a pessoa não sobrevivia, eu me sentia tão frustrada, tão incapaz. Eu sempre amei a vida, e odiei a morte, eu a repudiava.
Hoje, não acho a morte ruim, eu desejo o sofrimento das pessoas, quase não me comovo mais com eles, já não choro mais com bobagens, com coisas que para mim, era verdadeiramente emocionantes, que possuíam grande significados, hoje, já são nada, ah, como eu era boba, uma boba chorona.
Ver o sofrimento alheio hoje, algumas vezes, até me diverte, sim, me diverte. 
Hoje, já me chamaram de insensível, imbecil e estúpida, e, quer saber, não dei a mínima importância, não me abalou em nada ser chamada assim.
Mas, isso é perder a humanidade, ou aprender a ser forte?!

Psicologia de um vencido — Augusto dos Anjos

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.


Profundíssimamente hipocondríaco, 

Este ambiente me causa repugnância... 
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia 
Que se escapa da boca de um cardíaco.


Já o verme — este operário das ruínas —

Que o sangue podre das carnificinas 
Come, e à vida em geral declara guerra,


Anda a espreitar meus olhos para roê-los, 

E há-de deixar-me apenas os cabelos, 
Na frialdade inorgânica da terra!