quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Vingança demoníaca (Parte I)

Era noite de segunda-feira, dois dias antes do Natal, eu havia saído para apanhar lenha e minha amada Rose ficara em casa, começando os preparativos da ceia. A bela lua cheia fora coberta pelas nuvens e uma neblina densa impedia que qualquer ser normal enxergasse mais do que dois palmos à frente do nariz.
Afastei-me alguns metros da casa, não demorei muito para retornar, mas, houve tempo suficiente para que o pior acontecesse. 
Gritos desesperados cortaram o silêncio da escuridão, eram os gritos da minha Rose. Corri o mais rápido que pude, neblina adentro de volta para casa, parei abruptamente quando cheguei à porta, que era feita de madeira maciça, e possuia dobradiças de ferro, mas havia sido arrancada.
Encontrei a minha amada ainda nos braços do assassino, ele cravara seus dentes no pescoço de Rose, e parecia estar sedento, possuia cabelos negros, pele extremamente branca, dentes pontiagudos e afiados, era um rapaz jovem. Somente quando saciou a sua sede, deu-se ao trabalho de notar-me, estava com a boca ensanguentada, apenas limpou-a com o dorso da mão dieita, e sorriu para mim, um sorriso debochado e completamente frio. 
Tomado pela raiva, empunhei o machado que estava em minhas mãos e parti para cima dele com toda a minha força. O jovem apenas esquivou-se, em uma velocidade sobrenatural e saiu pelo mesmo lugar por onde havia entrado.
Ainda pude ouvir as últimas palavras de minha Rose, entre sussurros ela disse: " — Martín, eu te amo."
Arrasado por ter perdido a razão da minha felicidade, eu passei dias andando atrás daquele vampiro desgraçado que a matara. Dormia em estalagens imundas, bebia em tavernas fétidas, e foi em uma dessas tavernas, que descobri uma forma de chegar até ele.
Enquanto chorava e bebia um whisky barato no balcão, um senhor se aproximou de mim. Alto, um tanto forte, cabelos grisalhos, muito bem vestido e elegante, foi direto ao ponto: " — Martín Thompson, camponês, vivúvo e que quer vingança, quer matar o vampiro que acabou com a vida de sua Rose, hum, prazer em conhecê-lo, sou Lúcifer, e terei prazer em ajudá-lo."
— Como você pode me ajudar? Por acaso é Deus?
"— Não, mas, posso ajudá-lo."
— Ah! É um anjo?
"— De certa forma, sim."
—  Sou apenas um pobre desgraçado, bêbado, que quer vingança. Minha mulher foi morta por um vampiro, uma criatura que pensei que nem existisse, todos que me ouvem contar a minha história, pensam que estou louco. Talvez você possa me ajudar, mas, irá querer algo em troca, e não tenho nada a lhe oferecer.
"— Eu acredito em você, confie em mim, quero que vá a esse endereço, hoje, à meia noite, e lhe apresentarei minha proposta."
O homem levantou-se, pagou sua conta, e deixou-me dinheiro suficiente para que eu pagasse a minha. Após hesitar algumas vezes, decidi ir, afinal, jurei a mim mesmo que faria de tudo para vingar Rose.
Aquele era o endereço de um casebre no meio da estrada, no centro de uma encruzilhada, parecia vazio, eu empurrei a porta, que estava entreaberta, e lá estava alguém à minha espera. Era uma mulher, uma bela mulher, uma ruiva encantadora, em um vestido vermelho, com um batom vermelho, era realmente linda.
"— Olá Martín, sabia que você viria! Lúcifer pediu para que eu conversasse com você. Ele tem uma proposta tentadora para lhe fazer."
— Diga logo de uma vez! Está frio, e não tenho tempo a perder.
"— Pois bem, ele pode te ajudar acabar com Samuel, o vampiro que matou a sua esposa."
— Samuel? Então esse é o nome dele. Como Lúcifer pode me ajudar?
"— Ele sabe onde ele está, mas Samuel é muito poderoso, você precisaria de algo além de sua força humana para destruí-lo. Então, Lúcifer está lhe propondo um pacto, ele lhe mostra a localização de Samuel, e te dar poderes suficientes para acabar com ele, em troca, você cede o seu corpo para que Azazel possa realizar algumas obras aqui na terra, depoi a sua alma, além de trabalhar para que outros humanos façam o pacto com ele. É pegar, ou largar."
— Esse é um preço um pouco alto a se pagar, mas, como não tenho mais nada a perder, diga a ele que topo. 
"— Sabia que você aceitaria!"
 Ela estendeu-me um papel, na verdade, era pele, pele humana, e um punhal.
"— Assine aqui! Com o seu sangue!"
— Eu contei o meu pulso esquerdo e deixei gostas do meu sangue cair no local marcado. Logo após, ela beijou-me.
"— O pacto está selado! É um prazer fazer negócio com você, serei a sua guia apartir de agora, nos vemos amanhã! Até mais!"
Dizendo isso, ela desapareceu. Voltei para estalagem onde estava hospedado, e adormeci...


(Continua...)