segunda-feira, 12 de maio de 2014

Ela pisou em meu pé

Olá minha doce Marina!

Escrevo para contar-lhe mais uma situação que me ocorreu, antes que vc e os leitores do seu blog comecem a me encher o saco, lhes aviso logo: a culpa não foi minha.
Bom, estava eu voltando para casa, mais uma vez no maldito ônibus do meu bairro, mas, até que ele não demorou a chegar no ponto, e não me lembrava uma lata onde pobres sardinhas tiveram seus corpos espremidos e colocados em conserva após serem retiradas forçadamente do mar. Em fim, o tempo estava agradável, frio, tanto que até vesti o meu velho moletom preto, eram seis da tarde e tudo havia escurecido, simplesmente perfeito. Hoje minha Marina, eu sei que é mais um daqueles dias em que vc está mal, e não sabe o motivo, em que todos perguntam o porquê de estar mal e vc não sabe responder, quer dizer, todos não, afinal quase ninguém percebe que não estás bem, só eu, só eu sei quando não estás bem, por que eu, eu sou vc. Mas, voltando, até ali tudo estava insuportavelmente normal e entediante, eu estava a ponto de surtar, pessoas insignificantes conversando sobre coisas insignificantes, a imbecil da cobradora discutindo com um passageiro imbecil, e blá, blá, blá... Até que aconteceu, alguém pisou em meu pé. Vc sabe que eu não sou tão compreensiva e paciente quanto vc, e depois de passar vinte minutos naquele tédio, eu já estava a ponto de atirar em todos, ou em mim mesma, pena que vc nunca me deixou comprar uma arma. Em fim... Pisar em meu pé, foi demais, esperei ela descer e calmamente a segui, colocando discretamente minhas luvas enquanto preparava um breve plano para apagá-la, quando caminhava por uma rua deserta e sem muita iluminação, eu a segurei por trás, a derrubei no chão e a imobilizei, ah, precisava ver como ela se debatia, assustada com um filhotinho sem mãe apreendido por caçadores. Envolvi minhas mãos em seu pescoço, e apertei, cada vez mais forte, e ela se debatia cada vez mais forte, seus esforços eram inúteis, ela sabia, a morte estava bem próxima, mas ainda assim lutava. As suas contrações musculares foram diminuindo até que ela apagou, devia estar morta, pois não respirava mais, só que não havia sangue, eu queria que houvesse, então, a degolei, e fui embora, enquanto seu sangue esvaia lentamente através do corte em seu pescoço.
A culpa não foi minha, foi ela quem pisou em meu pé. Na verdade, bom, eu é quem não fui com a cara dela mesmo.
E continuo a imaginar o momentos que não me deixas viver...

Mil beijinhos my dear...