domingo, 15 de junho de 2014

Da criadora para a criatura

Olá Nina.


Esta é a primeira vez que lhe escrevo. Sempre é você quem vive me escrevendo, contando sua aventuras e proezas, suas "brincadeiras". Eu sei que você não passa de invenção minha, ou talvez até seja real, mas, que as circunstâncias sempre a impedirão de revelar-se. Minha cara Nina, é uma idiotice, uma infantilidade mantê-la viva, como se você fosse humana, fosse alguém que vive fora da minha imaginação, eu sei que você é apenas imaginária, mas, eu não posso deixar você desaparecer, por que  infelizmente, ou felizmente, você tem sido minha única companhia, a única com quem posso contar, em todos os momentos de minha vida sem graça.

Sim meu bem, my dear, estou eu mais uma vez padecendo em sofrimento, em angústia, em solidão, ontem até fui a uma festa, você sabe. Eu sei que me disse para não ir, você mais do que ninguém sabe que todas as minhas tentativas de se divertir são inúteis. Ontem até que tudo começou bem minha querida, não, não era um show de rock, mas, eu estava dançando, feliz. Mas, você sabe que toda e qualquer faísca de felicidade que há em mim, se esvai por qualquer coisa boba, ou nem tão boba assim. Em fim, ao perceber que eu não atraía a atenção de ninguém, que eu continuava invisível e que todo o trabalho de produção (cabelo, maquiagem...) não esconderam a dor, a solidão de mim, e não me deixaram nada visível, ao perceber que eu não tinha amigos, para estar curtindo com eles, tudo voltou. Sei que esses motivos são fúteis, mas, no fundo nem há motivo, é só eu, me sentindo só, querendo ser amada. Ninguém se interessa por mim, ninguém, posso estar coberta com ouro, nua ou brilhando mais que o sol, posso ser a própria lua, ou a própria noite, ainda assim serei invisível.
Ontem pela primeira vez eu senti inveja de você, alias, sempre tive inveja de você, sempre quis ser você, por isso a criei. Criei uma eu totalmente diferente de mim. Você não liga para solidão, não se sente mal por viver só, você prefere-a, e mesmo escolhendo-a, ainda assim não és só. Você é a Marina que eu quero ser, todos os dias, mas, que eu não posso. Ontem certamente você seduziria todos, mataria todas as mulheres de inveja e raiva, e mataria alguém, aliás, brincaria com alguém, ou com vários. Hoje certamente, você não estaria mendigando atenção de alguém que nem se importa com seus sentimentos, nem se importa com você. Hoje as pessoas estariam implorando por sua companhia nesse tal Forró da Mina, os garotos estariam brigando por vc, as garotas mendigando sua atenção, e vc, não estaria com a mínima vontade de ir, ou iria, de camarote, por que algum cara gato e bem sucedido, completamente louco por ti, faria questão da sua presença. Eu tô aqui Nina, com um ingresso para pista, e sem nenhuma companhia, mendigando a atenção das garotas para aceitarem a minha amizade, e os caras apaixonados por mim, nem existem.
Ninguém se interessa por minhas lamentações, ninguém quer saber dos meus dramas, eu sou uma dramática, não sei por que ainda escrevo ou ainda tento desabafar com alguém. 
Talvez seja a hora de desistir de tudo.


Talvez eu esteja prestes a cometer a pior idiotice da minha vida 



Me impeça Nina, não me deixe...



Eu te amo!



Sua criadora.