terça-feira, 29 de julho de 2014

Simples

Vontade de morrer
Vontade de morrer
Vou morrer
Vou morrer
Morri
Fim.

Querido blog

Há tempos não escrevo aqui, mesmo estando de férias, tendo tempo, é que não consigo mais escrever como antes, nem desenhar como antes. A vida tem me pregado peças. Minhas aulas voltam na próxima segunda, mas, eu nem tenho onde ficar. Estou fraca, sem esperança, sem coragem, e quero desistir, tudo que eu quero é ficar deitada em meu quarto, isolada do mundo.
Não posso me matar, por que prometi que não faria, e por que me falta coragem para partir.
Ninguém mais quer saber desses meus desabafos aos quais chamam de drama, e os que ainda os leem, não conseguem entender-me, não conseguem me dar conselhos. Estou cansada de ser tão diferente, de ter vergonha de minhas diferenças, de ter essa dificuldade em socializar com as outras pessoas, aliás, são essas pessoas que me impõem essa dificuldade.
Eu já não sei o que fazer, eu não quero voltar para a outra cidade, não quero voltar para faculdade, não quero continuar vivendo com essa máscara de felicidade que uso. Estou cansada e com medo. E ninguém quer me ajudar, ninguém consegue, o futuro, o destino, o tempo e a vida estão contra mim.

sábado, 19 de julho de 2014

Vida

Sim, eu sou uma inútil. Uma inútil que se deixa ser derrubada e que não se levanta, que é devorada por seus medos, que não tem coragem de arriscar. Que se declara, que se sente culpada, que sempre se arrepende de fazer, ou de não fazer alguma coisa, qualquer que seja. Sou alguém que quer ser diferente, mas que não faz nada para mudar, alguém que quer ser notada, mas que vive se escondendo. Estou cansada de ser assim, mas, vivo presa nessa eu inútil. Tudo sempre fracassa. Odeio ser eu.

terça-feira, 15 de julho de 2014

O amor acaba - Paulo Mendes Campos

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que  chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

Real

Cansada de sofrer. Cansada de sofrer. Cansada de sofrer. Cansada de sofrer. Cansada de sofrer.
Ilusão e desilusão. Promessas e mentiras. Abandono e esquecimento. Todos os meus medos são reais. Vivendo um pesadelo acordada. Até quando? Fé e esperança me tornando masoquista. Vivendo um pesadelo acordada. Vestibular. Sem lugar pra ficar. Esquecimento. Medo. Dor. Paixões. Sofrimento. Coração. Sangue. Esquecimento. Vivendo um pesadelo acordada. Cansada de sofrer. Cansada de sofrer. Medo de ser esquecida. Troca. Insulto. Vestibular. Sangue. Sem teto. Facada. Esquecida. Ilusão. Coração. Casamento. Felizes. Lágrimas. Eu. Dor. Matemática. Fim. Faculdade. Fim. Ilusão. Mensagem. Dor. Sem teto. Fracasso. Coração. Cansada de sofrer. Cansada de sofrer. Respiração. Acusações e condenações. Vestibular. Economia. Noturno. Sem teto. Paranoica. Solidão. Paixão. Moleques. Feridas. Anjo.
Se faz de coitada. Culpada.
Fim.

sábado, 12 de julho de 2014

Quero que se exploda


Eu odeio essas pessoas que mentem para mim. Me fazem de boba, e depois ainda querem colocar a culpa em mim. 
Mas, o fato é que as pessoas estão sempre mentindo. Todos sempre mentindo, para mim e para todos.
As pessoas sempre se importam com elas mesmas, se estão bem, que se dane quem sofre vendo-as felizes. 
De fato é fundamental preocupar-se com a felicidade de si mesmo, mas, usar a felicidade para machucar os outros, para fazer alguém sofrer é cruel e desumano.
Digo isso por que tenho sido vítima da felicidade alheia, tenho sido torturada por ela. 
Não use sua felicidade para machucar os outros, felicidade é algo instável e precioso, vc pode  de uma para outra perdê-la. 
É uma arma que só deverá ser utilizada contra o maior dos seus inimigos.
Se quer usar sua felicidade para machucar alguém que daria tudo por vc, quero que vc se exploda.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Julgar

As pessoas adoram julgar as outras, julgam por não conhecê-las, julgam por conhecê-las, pelo o que fizeram ou pelo que deixaram de fazer, julgam, julgam, julgam, só sabem julgar. Julgar e condenar na verdade. Bom, não posso negar que as vezes os julgamentos possuem fundamentos, fatos, e nem posso me dar ao luxo de dizer que não julgo as pessoas, afinal sou humana, e diria que julgar e natural da humanidade, tão natural quando o ato sexual, e assim como ele, tornou-se uma ação banalizada, escandalizada e exagerada. Como as amizades de hoje em dia, algo banal. Não me julguem mal por fazer esse julgamento, mas, acho que julgar é realmente natural.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Dim, dim, dim

Dim, dim, dim
Mais uma vida chegará ao fim
Mocinha cansada
De ser sempre a culpada

Dim, dim, dim
Mais uma vida chegará ao fim
Tomará coragem óh mocinha?
Que dizem se fazer de coitadinha

Dim, dim, dim
Mais uma vida chegará ao fim
Tomará coragem afinal
Essa é uma ação fatal

Dim, dim, dim
Mais uma vida chegará ao fim
Corte nos pulsos, enforcamento
Ou será morte por envenenamento?

Dim, dim, dim
Mais uma vida chegará ao fim.