quinta-feira, 30 de abril de 2015

Esse mundo está perdido, e os ETs nunca vão falar com a gente!



Não, eu não sei se existe vida fora do planeta Terra, não faço parte de nenhuma seita ufológica, nem estou interessada em fazer, só precisava de um título legal, para falar do que eu acho sobre algumas coisas, como por exemplo, os novos estilos de “música” populares no Brasil, e sobre como nós jovens brasileiros, acabamos nos comportando.

Este texto pode ficar confuso e bem misturado, por que sem querer eu acabo escrevendo muita coisa, mas, a quem não compreender, eu peço desculpas, a quem discordar de mim, tem todo direito de discordar, quem sou eu para proibir alguém de pensar diferente? E a quem ficar com preguiça de ler... Francamente! Tome vergonha e leia! Eu agradeço.

Volto a repetir que esse mundo está perdido, se continuar do jeito que está, ou se piorar (por que a tendência é piorar), eu vou torcer muito para que seja possível viver em outro planeta, e para que eu possa ir para lá.

Se olharmos em volta, ligarmos o televisor ou acessarmos à internet, veremos que há tanta pornografia, tanta violência, tratadas de forma banal. Já ocorrem crimes de todos os tipos, e quase tudo de mais nojento e aterrorizante que se possa imaginar, já é real. Não podemos mais duvidar de quase nada por que de quase tudo acontece.

Os religiosos que leem muito a Bíblia, afirmam que o fim do mundo está próximo, por que tudo que há no livro Apocalipse já está acontecendo, a qualquer momento pode ocorrer o Juízo Final. Será? Em uns pontos eles têm razão.

Continuando...  Quando falamos em pornografia, e violência, eu tenho que citar os estilos de funk brasileiros, o novo forró, o novo sertanejo e outros estilos "musicais" que se caracterizam pelo excesso de "-ão": ostentação, erotização, banalização, palavrão, desafinação...

Esses novos estilos nada tem a ver com os estilos dos quais dizem que descendem, a não ser pelo nome, ou por algumas outras pequenas semelhanças. 

Comecemos pelo novo sertanejo.  O sertanejo raiz, aquele que o Sérgio Reis canta, bem como outros ícones da verdadeira música sertaneja brasileira, não agrada mais aos jovens da minha geração, pelo contrário, a maioria de nós achamos "chato e sem graça, aff, que coisa mais velha!". Ninguém mais acha ruim viver na cidade, ninguém quer ver a madrugada, quando a passarada fazendo alvorada começa a cantar (não quer ver, e nem dá para ver, infelizmente). A moda agora é o bombeiro, o Camaro amarelo, a gatinha assanhada etc., e tantas outras músicas regadas à "-ão". Não vou aqui dizer que as letras sensuais não estejam presentes no sertanejo raiz, por que elas também estão. Em fim, nem todos os cantores da nova geração exageram no "-ão", há cantores que até possuem certa coerência e poesia em suas letras, como aqueles dois meninos que nunca sei quem é quem, a dupla Jorge & Matheus. 

Com o novo forró, bom, Luiz Gonzaga e Dominguinhos, devem se revirar nos túmulos. Falta o romantismo, a irreverência, o sertão, aqueles aspectos que caracterizam, para mim, o forró original. Aquelas músicas que tocavam nos “arraiás” em uma noite de São João, com o céu todo em festa, balões no ar, xote e baião no salão ou numa sala de reboco, ouvindo o chiado da chinela, e que eram marcadas pelo zabumba, pelo triângulo, harmonizadas pela sanfoninha choradeira. Agora o forró é eletrizado, tem guitarra, tem baixo, tem metais, tem ostentação, pegação, tem tudo, mas, falta a voz, e as letras. É cheio de “-ão” também: nas músicas, nos shows, nos nomes das bandas e dos cantores, por que não!? Um exemplo: Wesley Safadão. Falta o xodó, o amor, falta a Carolina ou “Carulina”, falta a Asa Branca, falta muita coisa. Infelizmente, desconheço alguma banda ou cantor desse novo forró, que vale à pena citar como aceitável.

E o funk? Ah! O funk! Sexo, drogas e... Funk. Shorts enfiados no útero, vestidos colados ao corpo,  e que mais parecem blusas de tão curtos, bonés um tanto ridículos, óculos espelhados coloridos, correntes de ouro, tênis de marca, e muita, mais, muita baixaria. São palavras depravadas, rimas cheias de palavrões e pornografias, coreografias mais pornográficas ainda. Tudo isso somado as drogas, e a violência. O funk perdeu a função que era para ter inicialmente, que dizem ser aparentemente, a  função de denunciar a pobreza e os problemas da comunidade, do povo. Não tem ética, não tem moral e não há limites. Não há letra nos funks, não há harmonia, não há voz, não há poesia, não há nada. Fico me perguntando o que Rousseau, Sócrates, Durkheim, e outros verdadeiros pensadores diriam.

Atualmente, ouvir Chico Buarque, gostar dos Beatles, adorar filmes, gostar de ficar em casa, ouvir música clássica, tocar em uma orquestra, ler livros, apreciar pinturas e desenhos, gostar de Bossa Nova, saber cantar o Hino Nacional, ouvir Imagine Dragons, Caetano Veloso, curtir Rock N’ Roll, ser admirador do Johnny Depp. Apreciar poesia, e achar belas ou divertidas coisas como uma tarde ensolarada, um arco-íris, uma noite estrelada, flores, lua, plantas, mar, sorvete, chuvinha no fim da tarde etc. Ouvir Luiz Gonzaga, Nando Reis, Vanessa da Mata, Ed Sheeran, Bastille, James Brown, Zélia Duncan, Fagner, Zé Ramalho, e outros grandes artistas da música brasileira e estrangeira, não só os experientes, mas, também os mais jovens... Não gostar do que a maioria dos jovens brasileiros gosta, é estranho, é cafona, é bizarro, para a maioria de nós.

Se no Brasil das décadas de 60 e 70, os jovens eram embalados pelo rock e pelo desejo de mudar o país ou acabar com a ditadura, se os jovens dessas décadas queriam um futuro melhor, se queriam liberdade e felicidade, se aqueles jovens eram rebeldes, nós, os jovens de hoje,  utilizamos toda a nossa liberdade, temos toda a liberdade, para fazermos o que quisermos, e nós fazemos de tudo, podemos tudo, só que nós não queremos acabar com a ditadura militar, afinal, a ditadura já chegou ao fim há décadas, nem parecemos estar interessados em um futuro melhor, parecemos  querer, na verdade destruir os nossos futuros em nome do que chamamos  de curtição, de diversão. Não todos nós, muitos de nós. 

Somos tão jovens, e jovens  querem uma vida de excessos, uma vida cheia de “-ão” que por enquanto caracterizamos como as melhores coisas da vida, mas nos esquecemos de que o futuro do país somos nós, jovens, e que as consequências do que hoje chamamos de “curtir a vida e ser feliz”, nossas atitudes de hoje, podem nos custar  a vida que tanto queremos viver, e decepções futuras, mortes futuras.

Aproveitemos as coisas simples da vida, deixemos de lado os exageros, as banalizações, vamos colorir o mundo, eu sei que a realidade não é simples, o mundo é cruel, mas, nós contribuímos para isso, e ao mesmo tempo em que contribuímos para a destruição, nós podemos nos livrar dela, é bem difícil, mas, não impossível. 

Eu sei também que estou parecendo a Lisa Simpson com todo esse blá, blá, blá, mas, no fundo, eu sou meio Lisa Simpson, muita gente é, e muita gente deveria ser. E sou geração séc. XXI, faço besteiras, tenho meus momentos de rebeldia, quero ser feliz, e me divertir, sou um tanto imatura também, por que sou jovem, e sou humana, só penso um pouco diferente.

Vamos mudar nossas atitudes, para que possamos transformar a realidade para melhor e garantir a nossa felicidade daqui há algumas décadas, viver o presente intensamente, mas, sem se esquecer do amanhã.

Que a gente repense nossa juventude antes de ficarmos velhos!

domingo, 19 de abril de 2015

SONETO COMO É (©Paulo Braga Silveira Junior)


Amor real não deve ser pedido,
não pode ser trazido ou evocado;
pior pensar em tê-lo suplicado
chorado, mendigado e tão sofrido!

Nem feito foi pra ser, por nós, magoado,
ou por razões tão vis ser sucumbido;
amor leal não pode ser perdido,
vendido ou, por um outro além, trocado.

Amor nos chega assim: inesperado;
e pega, a cada um, despreparado
sem que se saiba dele ter sentido...

É sempre uma loucura; uma alegria
que pela vida inteira se irradia...
Amor, enfim, não pode ser vencido!

©Paulo Braga Silveira Junior

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Poetas, poetas, poetas

Versos para qualquer poeta

O poeta é um sonhador
Um pensador em devaneio
Em cada poema, coloca de si uma parte
O poeta transforma sua dor em arte
O poeta transforma a tristeza em versos
Transforma também a alegria
O poeta escreve sobre o amor
O poeta escreve sobre o dia
O poeta escreve seus sentimentos
Não tem medo de dizer o que sente
E como sente
O poeta sente tudo intensamente.

Versos para um poeta

Poeta, tu és um sonhador
Um pensador em devaneio
Um louco, um doente, um anjo, um apaixonado
Tu escreves sobre amor
Quando estás magoado
Tu escreves sobre dor
Quando não és correspondido
E tu escreves sobre alegria
Mesmo de coração partido
Tudo para ti vira verso
Vira poema, prosa, poesia
Vira arte, tu és artistas
Encantas a noite, encantas o dia

domingo, 12 de abril de 2015

Os caras errados

Por gostar dos caras errados eu já perdi a razão, já fiz muitas coisas idiotas, já me deixei levar, e quase arruinei minha vida. Já  quis morrer, já quis matar e já tentei morrer.
Por gostar dos caras errados eu já me humilhei, já fui usada, já servi de reserva, já recebi inúmeros foras (e continuei insistindo), já fui a louca, já chorei (e como chorei), já me cortei e quase me dei. Já me joguei de cabeça, e me quebrei.
Já tive o coração partido, esmigalhado, pisoteado, arremessado contra a parede, por gostar dos caras errados. 
Já fiz tudo isso e me arrependo eternamente de tudo.
Não posso mais gostar de ninguém, mesmo gostando de você, por que não sei se você é o cara certo (provavelmente não é), e prometi a mim mesma que não quero e não vou mais gostar dos caras errados. 


Inverno e coração

O inverno está chegando e com ele não vem só o friozinho.
Eu sei que parece bobagem, mas, é no inverno em que o lado sentimentalista das pessoas se manifesta, é no inverno em que o coração bate mais forte.
A vontade de abraçar alguém bem apertado e não soltar mais, vontade de ficar junto, de proteger.
Aquela coisa de eu, você, filminho e chocolate quente.
O coração fica com vontade de ser aquecido, e a solidão incomoda bastante, dá vontade de ser apaixonar e ser correspondida, e dá vontade de morrer quando não se é.
Mas, o frio é inspiração para escrever, a solidão também, aí são inúmeros poemas, versos, frases. textos, músicas e declarações em geral.
Então, que o outono passe voando, que chegue logo o inverno e que a melhor época do ano seja bem-vinda.

Egoísmo inato

Todos nós somos egoísta!

Sim, somos grandes egoístas, e nem adianta dizermos que não.
Desde os primórdios da humanidade, o egoísmo nos acompanha, é algo inato, e mesmo que alguns de nós se negue a assumir esse egoísmo, ele está presente, é instintivo.
Vamos começar observando o egoísmo desde os templos bíblicos, para quem é cristão, basta lembrar que Adão e Eva tinham tudo à disposição, mas, quiseram mais, quiseram todo conhecimento para si próprios, e com isso, pecaram, ao comer o fruto proibido, e tivemos inúmeros outros personagens bíblicos igualmente egoístas.
Se formos para o lado científico, veremos também o quão egoísta o homem sempre foi. Aquela lei que diz que "os mais fortes sobrevivem", na verdade deveria ser: "os mais egoístas sobrevivem", o homem sempre agiu em pró de sí mesmo.
Sendo um pouco mais radical e indo um pouco mais a fundo, o próprio ato sexual em si é um egoísmo, os seres humanos têm relações sexuais em pró do seu próprio prazer, para satisfazer os seus desejos e vontades e para a continuidade da sua própria espécie. Por sinal, desde a corrida dos espermatozoides até o óvulo há egoísmo, apenas um espermatozóide consegue chegar, e esse faz de tudo para conseguir tal fim, para conseguir vencer.
Nós fazemos de tudo para viver, para sermos felizes, para alcançar nossos objetivos, não importa os outros, mesmo que aparentemente pareçamos preocupados com o próximo, no fundo não estamos, só estamos preocupados com nós mesmos.
Portanto, quando for chamar alguém de egoísta, lembre-se, chamar alguém de egoísta também pode ser egoísmo de sua parte, por que como eu disse no início: Todos nós somos egoístas!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Overdose

Se embebede com músicas
Se empaturre com poemas
Mande leitura para cachola 
Injete arte em sua veia 
Tenha uma overdose de cultura!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

As Coisas Tão Mais Lindas

Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela então eu me vi

Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água-marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar

E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas
Porque você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas

                                                                                      — Nando Reis

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Cores & Flores

O azul do céu
O preto do teu olhar
O rosa das flores
Cores por todo lugar

Quero cores e mais cores
Como em um jardim comprido
Sair do mundo preto e branco
Viver em um mundo florido

Verde, lilás, vermelho, branco
E as cores do amanhecer
Amores, sabores, estampas
Minha vida a florescer

Flores da cabeça aos pés
Cores dos pés à cabeça
Que tragam em mim alegria
Que a alegria só cresça

Quem vive só, vive triste
Num mundo cinza também
Eu vivo só, e sou triste
Mas, quero é me sentir bem

Se quiseres vir comigo
Pode vir sem exitar
Tu comigo e eu contigo
E nosso mundo colorido

Simples desejo


Durkheim: Análise Sociológica do Suicídio

Seja o amor não correspondido, o apego ao trabalho ou outra causa qualquer, os exemplos literários apresentam-nos a morte voluntária como resultante de motivações individuais. E assim também se dá na vida real. A primeira dificuldade consiste em definir o suicídio. “Como saber que móbil determinou o agente, como saber se, ao tomar a sua resolução, desejava efetivamente a morte, ou tinha outro fim em vista? A intenção é algo demasiado íntimo para poder ser atingida do exterior, a não ser por aproximações grosseiras”, escreve Durkheim. (1983, p.166)
O jovem que se mata por amor; a jovem que deixa dúvidas se realmente tinha intenção de dar cabo à vida; o velho funcionário que pensa em suicidar-se; o indivíduo que se mata por vergonha diante da falência; o soldado que se sacrifica pelos demais; o samurai que se mata em nome da honra; a renúncia desesperada à vida, etc. São inúmeras as situações em que comumente se adota a designação de suicídio. Portanto, é preciso caracterizá-lo. Segundo Durkheim:
“Chama-se suicídio todo caso de morte que resulta direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo praticado pela própria vítima, ato que a vítima sabia produzir este resultado. A tentativa de suicídio é o ato assim definido, mas interrompido antes que a morte daí tenha resultado” (Id., p167).
Na literatura predomina o viés individual e psicologizante do suicídio; na vida real, também. É sandice negar os fatores individuais e psicológicos. Não obstante, não é sensato restringir-se ao indivíduo e ao psiquismo. Como observa Durkheim:
“Visto que o suicídio é um ato do indivíduo que apenas afeta o indivíduo, dir-se-ia que depende exclusivamente de fatores pessoais e que o estudo de tal fenômeno se situa no campo da psicologia. E, aliás, não é pelo temperamento do suicida, pelo seu caráter, pelos seus antecedentes, pelos acontecimentos da sua vida privada que normalmente este ato se explica? (Id., p.168)
Se os suicídios podem ser explicados apenas pelos fatores psicológicos, então, desresponsabilizamos a sociedade. No entanto, nem todos os que sofrem por amor, ou outro motivo qualquer, se matam. Por que outros resistem e não sucumbem ao ato suicida? A resposta está na própria sociedade. É isto que Durkheim demonstra em seu clássico estudo sobre o suicídio enquanto um fenômeno eminentemente social. Não que ele desconsidere a psicologia; ele apenas enfatiza os fatores sociais. “Cada sociedade tem portanto, em cada momento da sua história, uma aptidão definida para o suicídio”, afirma (Id., p.169). Ou seja, em cada sociedade há um número constante de suicidas, uma taxa de suicídio relacionada a cada grupo social, a qual “não se pode explicar nem através da constituição orgânico-psíquica dos indivíduos nem através da natureza do meio físico” (Id., p.177).
As causas do suicídio não estão, portanto, nos indivíduos – e no que eles declaram no momento desesperado em que abraçam a morte. Os indivíduos sucumbem à tendência suicidogênea disseminada na sociedade enquanto um estado geral, isto é, como um fator exterior aos indivíduos e independentes deles.
“As razões com que se justificam o suicídio ou que o suicida arranja para si próprio para explicar o ato, não são, na maior parte das vezes, senão as causas aparentes. Não só não são senão as repercussões individuais de um estado geral, mas exprimem-no muito infielmente, dado que permanecem as mesmas e que ele difere. Estas razões marcam, por assim dizer, os pontos fracos do indivíduo, através dos quais a corrente que vem do exterior para incitá-lo a destruir-se se introduz mais facilmente” (Id., p.182).
Em cada sociedade há a tendência coletiva para o suicídio, uma força exterior aos indivíduos, mas que se manifesta através destes. Esta tendência está vinculada aos diferentes hábitos, costumes, idéias, etc. Sua intensidade é também determinada socialmente, isto é, a partir do contexto de cada sociedade específica. Observe-se que as sociedades não são compostas apenas por indivíduos, mas também por fatores físicos materiais independentes destes e que também influenciam a vida social. A intensidade com que se manifesta a tendência suicidogênea depende dos seguintes fatores:
“…primeiro, a natureza dos indivíduos que compõem a sociedade; segundo, a maneira como estão associados, ou seja, a natureza da organização social; terceiro, os acontecimentos passageiros que perturbam o funcionamento da vida coletiva, sem alterar no entanto a constituição anatômica desta, tais como as crises nacionais, econômicas etc.” (Id., p.199).
Em suma, são as condições sociais que explicam, por exemplo, que o fenômeno suicida se manifeste diferentemente nas diversas sociedades. Isto explica também porque o número de mortos voluntários e a sua distribuição entre as diversas faixas etárias e grupos sociais se mantém constante em cada sociedade específica e que só se modifique este quadro quando mudam as condições sobre as quais se sustenta a sociedade.
A relação entre o indivíduo e a sociedade determina as correntes suicidogêneas. Assim, quanto menos o individuo se encontra integrado à sociedade, maior a possibilidade do suicídio egoísta se manifestar:
“Quanto mais se enfraqueçam os grupos sociais a que ele (indivíduo) pertence, menos ele dependerá deles, e cada vez mais, por conseguinte, dependerá apenas de si mesmo para reconhecer como regras de conduta tão-somente as que se calquem nos seus interesses particulares. Se, pois, concordarmos em chamar de egoísmo essa situação em que o eu individual se afirma com excesso diante do eu social e em detrimento deste último, podemos designar de egoísta o tipo particular de suicídio que resulta de uma individuação descomedida” (Durkheim, O Suicídio, apud NUNES, 1998).
Por outro lado, quanto maior a integração do indivíduo à sociedade, maior a manifestação de outro tipo de suicídio: oaltruísta. Se o individualismo excessivo pode induzir ao suicídio, a absorção do indivíduo pela coletividade pode ter o mesmo efeito. “Quando desligado da sociedade, o homem se mata facilmente, e se mata também quando está por demais integrado nela”, afirma Durkheim. (Id.)
Há outro tipo de suicídio analisado por Durkheim: o anômico. Este resulta de desequilíbrios sociais ocasionados por crises econômicas e políticas que modificam as condições sociais sob as quais se amparavam os indivíduos. Nestas circunstâncias, rompe-se a autoridade sustentada nas normas tradicionais e os indivíduos ficam sem referências. A crise produz deslocamentos financeiros, gera falências e processos de enriquecimento que fazem surgir os novos ricos. De um lado, a dificuldade em aceitar a situação material inferior; de outro, a cobiça diante da nova riqueza. E, em meio à crise, a moral não mais se sustenta e os indivíduos são obrigados a se educarem numa nova moral adaptada à nova situação. Este processo é doloroso e coloca em movimento a tendência suicidogênea anômica.
Durkheim esclarece que, em condições normais, as correntes suicidogêneas (egoísta, altruísta e anômica) “se compensam mutuamente”. Assim, o indivíduo se encontra num “estado de equilíbrio que o preserva de qualquer idéia de suicídio. Mas, se uma delas ultrapassar um certo grau de intensidade em prejuízo das outras, tornar-se-á, ao individualizar-se e pelas razões expostas, suicidogênea” (DURKHEIM, 1983, p.199).
A sociedade é real, a morte também não é uma abstração. Se aceitarmos e compreendemos esta realidade, podemos viver melhor e nos resignarmos à certeza da finitude. Dessa forma, é possível superar os tabus e o moralismo que envolvem temas como o suicídio.
O mérito de Durkheim está em demonstrar que o suicídio é um fenômeno social e que é possível estudá-lo e compreendê-lo a partir da compreensão da sociedade. O suicídio é um fenômeno presente em todas as sociedades humanas, mas sob as condições da modernidade ele assume uma intensidade nunca vista. A responsabilidade é social e não apenas individual. As diversas áreas do conhecimento podem contribuir, mas é necessário que se respeite as suas especificidades e limites, sem que, por isso, neguem-se mutuamente.

                                                                       – Autor desconhecido por mim
(P.S.: Carece de fontes)

Kriptonita

Esta noite ele não me deixou dormir, ficou em meus pensamentos a noite inteira.
Ele sempre faz isso, mas, a culpa não é dele, que nem sabe que eu alimento esse sentimento de admiração quase infinita.
Sempre tive uma queda por caras com barba. É sexy, é bonito. A barba, quando bem preenchida, bem aparada, trás para um rapaz um ar de cara sério e inteligente.
Mas, ele não é bem assim. De fato é inteligente, mas, não é tão sério. Ele fica lindo quando deixa a barba por fazer. 
Apesar de tudo, eu sei que ele tem medos, receios, e coisas que não diz para ninguém. Todo mundo tem coisas que quer esconder. Acho que no fundo, ele acaba escondendo o seu eu verdadeiro afogando-se no conhecimento, nos estudos, nas brincadeiras. Mas, ele sabe aproveitar a vida, esta é outra característica que admiro nele.
Adoro ouvir as histórias que ele conta, das coisas que ele já fez, das pessoas que ele conhece, dos lugares que ele conhece. Acho que se ele soubesse que presto atenção em tudo que ele fala, e do quanto gosto de ouvi-lo, ele as contaria só para mim. Bom, seria um monólogo, por que é muito difícil conversar com ele e não se sentir uma idiota, isso faz parte dos sintomas de "timidezcite aguda crônica", somada à "paixoniplatôniccite", esses males me impedem de conversar sabiamente, mas eu me esforço, ou evito.
Não quero que ele, nem ninguém saiba, ou sequer desconfie do que estou sentindo.
Eu já sofri demais com amores não correspondidos, e muito pior: com rejeição. Eu também não quero virar motivo de fofoquinhas. Ainda mais, se ele souber, vai se afastar de vez de mim, e já nem somos próximos.
Bom, eu fico aqui à poetizar, rasgar elogios, fico à observá-lo, contemplando toda sua beleza imperfeitamente perfeita.
Tem um lado positivo nisso tudo: tenho inspiração para escrever poemas, e muitos outros gêneros textuais, especialmente dedicados à ele, mas sem que ele saiba. Espero que ele tenha muito sucesso no curso e na profissão que ele escolheu.
Minha mais nova kriptonita.

Moço do cabelo escuro

Moreno que me encanta
Teu sorriso é tão lindo
Teu cabelo é tão lindo
E tua pele é tão linda
Tuas palavras são tão lindas
Tua voz é tão linda
Teus pensamentos são tão lindos
Não me importo se não são de fato seus
Mas, tudo que tu dizes é lindo

Tu és perfeito em tuas imperfeições
Teus defeitos só deixam-te ainda mais perfeito
Já disse que o teu sorriso é lindo?
É, eu já disse, mas, repito:
Teu sorriso é tão lindo
Tua risada é engraçada
E até meio tosca
Mas, igualmente linda também

E teu olhar? Ahh! Teu olhar!
Teu olhar é uma escuridão deliciosa
Uma escuridão que não dá medo
Uma floresta escura
Na qual teria o maior gosto em me perder
Por dias, noites, meses, séculos
Por toda eternidade

Teus olhos enigmáticos
São olhos de um deus
O deus mais sábio
E mais lindo que poderia existir
E meu coração acelera cada vez que te vejo
É uma arritmia que demora a passar
Continua até mesmo depois que vais embora

Se falas comigo então
Coração vira fogos de artifício
Explodindo no peito
Deixando as pernas bambas
Explosão se transforma
Se metamorfoseia
Milhares de borboletas
No estômago, no corpo inteiro
Uma festa dentro de mim

Ah! Se tu soubesses disso!
Se tu sentisse isso também

Vivo em amores por ti
Caio de amores platônicos
E tu sorris
Para mim, para ela, para todas
Enquanto eu fico a desejar
A desejar tornar-me o único motivo
O motivo único
Do teu lindo sorriso.