segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O teatro do fingir

Fingir!
A vida é fingir
Fingir ser madura
Fingir ter coragem
Fingir estar bem
Fingir que esqueceu

A vida é fingir
Fingir que ama a vida
Fingir que tudo está às mil maravilhas

A vida é fingir
Atuar, atuar bastante
Como se a vida fosse um grande teatro

Fingir!
A vida é fingir
Fingir estar sempre bem
Atuação digna de oscar

Fingir
O espetáculo acaba
As cortinas se fecham
A platéia vai embora

Fingir
Solitária no camarim
Algumas flores, muitas cartas
Só!

Fingir!
Em frente ao espelho
Não dá pra fingir
Não dá para se enganar
Pra você mesmo não dá pra mentir.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

É O QUE EU SOU

Negra,
É o que eu sou!
Tenhos traços negros, pele negra, cabelo negro.

Negra,
É o que eu sou!
E não tenho vergonha de minha cor
Se você tem, pode falar
Não precisa fingir
E se afaste de mim,
Não quero hipocrisia

Negra,
É o que eu sou!
E eu não sou perfeita não!
Mas só que ser imperfeita, também é ter perfeição. 

Lá vem a cidade - Lenine

"Eu pairava no ar, e olhava a cidade
Passando veloz lá embaixo de mim.
Eram dez milhões de mentes,
Dez milhões de inconscientes,
Se misturam... viram entes...
Os quais conduzem as gentes
Como se fossem correntes
Dum rio que não tem fim.

Esse ruído
São os séculos pingando...
E as cidades crescendo e se cruzando
Como círculos na água da lagoa.
E eu vi nuvens de poeira
E vi uma tribo inteira
Fugindo em toda carreira
Pisando em roça e fogueira
Ganhando uma ribanceira...
E a cidade vinha vindo,
A cidade vinha andando,
A cidade intumescendo:
Crescendo... se aproximando.

Eu vim plantar meu castelo
Naquela serra de lá,
Onde daqui a cem anos
Vai ser uma beira-mar..."

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

As aparências enganam

As pessoas olham e vêem uma mulher jovem de 20 anos. Mas, não imaginam quão garota ela é.
Elas olham e vêem uma estudante universitária, mente aberta, meio feminista, cheia de atitude, que mora sozinha e pode fazer ou falar o que quer. Mas, não imaginam que ela mais parece uma garota de 14 anos, sonhando com o baile de debutantes.
Que não consegue ficar longe da família, que se sente um E.T.
Uma garota que tem medo de tudo, que não sabe o que quer da vida, que fica nervosa com as mãos suadas, frias e trêmulas quando precisa fazer alguma coisa só, como ir ao banco ou falar em público.
Elas vêem uma futura economista. Mas, não sabem que ela preferia ser artista, astronauta, princesa ou fada.
Elas acham que ela é superior, incrível, boa demais. Mas, ela é só uma garotinha fantasiada de mulher.
Elas pensam que ela é durona, fria, vingativa, capaz de odiar e fazer mal, pensam que ela é má. Mal sabem que ela não consegue odiar. Ela não consegue prejudicar ninguém, não consegue ver ninguém triste, ela chora com comercial de margarina, ela tem medo de ser uma fracassada e tem medo de lutar para não ser.
Ela tem esse jeitinho de rainha má, mas, ela é só uma grande medrosa se escondendo por debaixo da magia, ou melhor, da máscara, que só não tiram se não quiserem.
Ela parece vampira, se diz vampira, mas, não morde.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Meu mundo caiu

(Poema inspirado na música "Meu Mundo Caiu", na voz da saudosa cantora Maysa, uma eterna diva da música brasileira.)

Meu mundo caiu
Só para variar
E eu não consegui
Não consegui levantar

Meu mundo caiu
Partiu-se em mil
Meu mundo caiu
Meu mundo caiu

Meu mundo caiu
E virou pó
E passou o vento
E o espalhou sem dó

Meu mundo caiu
E se incendiou
E só restou as cinzas
E o vento levou

Meu mundo caiu
Partiu-se em mil
Não sobrou nadinha
E ninguém nem viu

Meu mundo caiu
Caiu e quebrou
Sangrei até a morte
E ninguém me ajudou

Meu mundo caiu
E não sobrou nada
Desabou em mim
E fui esmagada

Meu mundo caiu
Partiu-se em mil
Se incendiou
Virou cinza
Virou pó
O vento espalhou
Sangrei até a morte
E ninguém sequer viu
Eu fui esmagada
Meu mundo caiu!