quinta-feira, 20 de julho de 2017

Sobre uma estrela

Boa demais para esse mundo
Talvez se achasse ruim
Canto marcante, canto forte
Em êxtase milhares

Como entender?
Incompreendida?
Sem compreender?
Uma estrela pendurada

Por que, estrela?
Nunca vou entender
Teu lugar era aqui
Teu lugar era no chão
Brilhando! Estrela!
Teu lugar era na terra

Uma estrela pendurada
Pendurada por uma corda
Uma corda no pescoço
A estrela está morta

Silêncio!
Apenas o silêncio
Silêncio e breu
Não há canto, não há luz
A noite está escura
Calou-se a voz da estrela

Foi para algum lugar distante
Só resta lembrança
A estrela está morta
Mas viverá para sempre

Em memória de Chester Bennington

sábado, 1 de julho de 2017

EU NÃO ME ESQUECI DE QUEM A GENTE FOI - Emanuel Hallef


"Eu queria aprender a desapegar assim das pessoas, como você desapegou de mim. Não é fácil pra eu falar sobre isso, pois ainda tenho amarras bem pesadas no peito. Mas nas primeiras semanas, eu devo admitir que fiquei sem saber o que fazer. Eu saía cansada da universidade, a cabeça cheia, e no ônibus eu ia planejando durante o caminho inteiro, por já saber o que acontece toda noite: "quando eu chegar em casa, vou logo dormir, pra evitar pensar", mas isso nunca acontecia, é claro, e eu sabia que não aconteceria nem tão cedo.
Algumas paixões são difíceis de matar.
E eu me perdia na noite, encurralada pela madrugada,
e em pensamento eu te trazia de volta
para ficar mais um pouco comigo.
Eu imaginava mil e uma coisa.
Como se você fosse voltar, era engraçado e banal.
E estranho, porque inconscientemente, eu te esperava mesmo. Eu segurava o telefone na mão, apertando-o, paranoica. Mudava o lado da cama, ligava a televisão, ficava de pé. Eu esperava que a porta batesse. Eu esperava que você aparecesse de surpresa na janela do quarto, tipo o que os amores dos filmes românticos fazem por outros amores.
Eu só esperava te ver... E bem, eu te via, sim, de certo modo, mas só em pensamento. Lá, você voltava e dizia que nunca tinha sido a sua intenção me magoar, que as coisas não precisavam ser assim e que você queria voltar para sermos o que éramos, ou uma coisa maior que aquilo.
Eu sorria, boba e apaixonada, e repousava
minha mão em você,
em silêncio, porque eu sempre
gostei de estar em silêncio
enquanto ouvia seu peito subir e descer, e lá,
quieta, eu pensava "meu namorado está de volta.
E ele parece estar mais interessante do que nunca".
no sonho, a gente conversava sem parar, porque parecia não haver tempo para nós. Você veio para ficar, e ficaria, porque não havia outro lugar em que você quisesse estar.
E aí, lembrávamos das pessoas que nos desmotivavam,
lá atrás, dizendo que nossa relação
nunca iria para frente
pelo fato de sermos incompatíveis.
E eu dizia a você, naquela noite, ainda em sonho, que eu me compatibilizaria a você, todos os dias, se preciso fosse, porque eu te amava, e amar pede esse tipo de sacrifício.
Sem falar que eu não me via exibindo
amor por mais ninguém.
Você também dizia que se compatibilizaria em mim,
em toda a sua abundância
(sim, você me disse que viria inteiro, agora).
[eu morria de amor, e continuava vivendo...]
Mas ainda nas madrugadas, eu acordava. E chorava, muito, puxava o lençol, atirava ele longe, e eu adormecia pela dor de cabeça, e acordava no outro dia, sabendo que esse ciclo vicioso se repetiria. Acordar-ônibus-pensar-chorar-"e se..."-faculdade-noite-madrugada-eledevolta-acordar.
Eu agia assim, não era porque eu era fraca e não conseguia te arrancar de mim, é só que existem certos tipos de amor, que não acabam, mesmo quando chegam ao fim.
[e o meu continua aqui, doendo...]"